

Jogo de tabuleiro “Imaginário Cariri” reúne elementos da cultura popular do Cariri cearense e conta com recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência visual. | Foto: Renata Linard
19 de junho de 2026 – A Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com a Fundação Casa Grande, desenvolveu o jogo de tabuleiro “Imaginário Cariri”, uma iniciativa que une educação, cultura e acessibilidade para valorizar as riquezas da Chapada do Araripe e do Cariri cearense.
Voltado para crianças a partir de 11 anos, o jogo convida os participantes a responder à pergunta: “Você imagina ou não imagina?”. A partir de cartas ilustradas, os jogadores exploram lendas, personagens, objetos, lugares históricos e mestres da cultura popular da região, estimulando a criatividade e o conhecimento sobre o patrimônio cultural caririense.
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A iniciativa nasceu em 2024 a partir de uma ação conjunta do Laboratório Experimental de Jogos, Comunicação e Audiovisual (SMD Lab) e do Incrível Grupo de Estudos em Jogos de Tabuleiro (Igrejota), ambos ligados ao curso de Sistemas e Mídias Digitais da UFC.
Durante dois anos, professores, servidores técnico-administrativos, estudantes e egressos da universidade realizaram oficinas criativas e rodas de conversa com crianças e adolescentes de 5 a 16 anos integrantes da Fundação Casa Grande, em Nova Olinda.
O resultado foi um processo colaborativo que permitiu aos jovens participantes contribuírem diretamente para a criação dos personagens, histórias e mecânicas do jogo.
“Com o material elaborado pelas crianças, investigamos as características das narrativas e dos personagens e destacamos algumas diretrizes para pensar na metáfora e nas mecânicas do jogo. Criamos um primeiro protótipo e o levamos para Nova Olinda para testar com as crianças e ouvir as sugestões de melhorias”, explica Glaudiney Mendonça, professor da UFC e coordenador do Igrejota.
“Na última visita, levamos o jogo finalizado e apresentamos para elas como as ideias foram incorporadas e foi muito legal ver a recepção delas com o material produzido”, complementa.
Entre os destaques do jogo está a personagem Dindilda, conhecida como “a mulher do dindin”, criada por José Venâncio, de 13 anos, supervisor de comunicação da Fundação Casa Grande.
“Achei muito interessante a gente criar os personagens para o jogo. Gostei bastante de como ele funciona e achei muito bonitos os desenhos que fizeram a partir dos nossos”, relata o adolescente.
Para a professora Andrea Pinheiro, coordenadora do SMD Lab, o projeto reforça o papel da universidade na valorização dos saberes regionais.
“É uma oportunidade de olhar para nossa região do Cariri cearense, reconhecer suas potencialidades e apresentar essas riquezas de forma lúdica, permitindo que pessoas de diferentes idades conheçam e se apropriem desse patrimônio”, afirma.
Um dos principais diferenciais do Imaginário Cariri é a inclusão de recursos voltados para pessoas com deficiência visual.
O jogo conta com elementos táteis, peças produzidas em impressão 3D, QR Codes com descrições acessíveis e orientações que permitem a participação conjunta de pessoas cegas e videntes durante as partidas.
Segundo Allan George Bezerra, servidor técnico-administrativo da UFC e agente de acessibilidade do projeto, a proposta foi garantir autonomia e inclusão aos participantes.
“Pensamos em como uma pessoa com deficiência visual pode jogar com autonomia e sem se sentir deslocada. Uma grande contribuição do projeto é promover inclusão, coparticipação e transformação na forma como as pessoas compreendem a acessibilidade”, destaca.
O jogo já foi lançado oficialmente em Nova Olinda e Fortaleza e está sendo distribuído para instituições que trabalham com crianças e pessoas com deficiência visual.
Entre os locais que já receberam exemplares estão o Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ) e o Instituto dos Cegos. Em breve, o material também estará disponível para consulta e uso na Biblioteca Pública Estadual do Ceará (Bece).
A iniciativa reforça a importância da preservação da cultura popular nordestina e demonstra como a tecnologia e a educação podem caminhar juntas para promover inclusão e valorização da identidade regional.
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