

ONS prepara estratégia para preservar reservatórios do Sul e garantir segurança energética diante dos possíveis impactos do El Niño | Foto: Caio Coronel
17 de junho de 2026 – O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) prepara uma estratégia para reduzir os possíveis impactos do El Niño sobre o setor elétrico brasileiro. A principal medida em estudo é preservar os reservatórios da região Sul em níveis elevados para garantir o atendimento da demanda de potência nos meses considerados mais críticos para o sistema.
A preocupação foi apresentada pelo diretor de planejamento do ONS, Alexandre Zucarato, durante participação no Enase (Encontro Nacional do Setor Elétrico). Segundo ele, o maior risco está em um eventual atraso das chuvas na região Norte, onde estão localizadas hidrelétricas estruturantes para o país, como Belo Monte, Santo Antônio e Jirau.
“A principal preocupação com o El Niño é atrasar a chuva na região Norte do país, onde estão os projetos estruturantes”, afirmou Alexandre Zucarato.
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De acordo com o diretor, dependendo da intensidade e da configuração do fenômeno climático, a redução das afluências nas hidrelétricas do Norte pode comprometer a disponibilidade de potência justamente no período de transição entre a estação seca e o início das chuvas.
Para enfrentar esse cenário, o ONS pretende preservar ao máximo os reservatórios considerados estratégicos para o atendimento da ponta de carga, especialmente na região Sul. A medida busca garantir capacidade de geração nos momentos de maior necessidade do sistema elétrico.
“A gente trabalha já com o que aprendeu ao longo desde o final de 2020 e a crise de 2021, que é deixar posicionados e resguardados os reservatórios estratégicos para atendimento de potência”, destacou Zucarato.
A estratégia do operador é manter os reservatórios do Sul o mais cheios possível até a aproximação do período chuvoso. A lógica é preservar a capacidade de resposta do sistema elétrico em caso de menor disponibilidade de geração nas usinas hidrelétricas da região Norte.
A gestão dos estoques hídricos envolve especialmente as bacias dos rios Grande e Paranaíba, que têm influência direta sobre a geração de importantes usinas do sistema, incluindo Itaipu.
Segundo Zucarato, mesmo quando as chuvas não são suficientes para elevar significativamente o nível dos reservatórios, elas podem ajudar a estabilizar os estoques.
“A chuva não vai fazer o reservatório subir mais por causa do volume, mas ajuda o reservatório a andar de lado, o que é ótimo para não descer”, explicou.
Caso as condições hidrológicas exijam, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) poderá autorizar o despacho de usinas fora da ordem de mérito econômico. Na prática, isso significa acionar usinas com custo mais elevado para preservar os reservatórios estratégicos.
A medida é considerada uma forma de aumentar a segurança do suprimento, principalmente durante a transição para o período chuvoso. O objetivo é evitar que o sistema chegue a momentos de maior demanda com estoques hídricos reduzidos em regiões essenciais para o atendimento de potência.
A estratégia do ONS leva em conta aprendizados acumulados desde o fim de 2020 e durante a crise hídrica de 2021, quando o setor elétrico precisou adotar medidas adicionais para garantir o fornecimento de energia.
Com o El Niño no radar, o operador busca antecipar decisões para reduzir riscos e preservar a confiabilidade do sistema. A avaliação é que o planejamento preventivo será fundamental para atravessar os próximos meses com maior segurança energética.
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