

Senador Jaques Wagner nega irregularidades apontadas em investigação da Polícia Federal. | Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
19 de junho de 2026 – A Polícia Federal (PF) apontou indícios de que o senador Jaques Wagner (PT-BA) teria recebido vantagens econômicas indevidas relacionadas ao banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. As informações constam da investigação que embasou a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizando a nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18).
Segundo a apuração da PF, Wagner teria sido beneficiado, direta ou indiretamente, por meio de familiares, pessoas de confiança e empresas ligadas ao grupo econômico investigado. Entre os supostos benefícios estão um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, repasses financeiros a empresa administrada por parentes do senador, uso de aeronaves e ingressos para eventos no exterior.
Em entrevista à Band News, o parlamentar negou qualquer irregularidade e afirmou acompanhar as investigações com tranquilidade.
“Até agora, não sou réu; não sou culpado; não sou nada. É uma investigação em cima do que eu imagino que a Polícia Federal encontrou em celulares [apreendidos] ou em alguma delação de alguém que eu desconheço”, declarou Wagner.
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De acordo com os investigadores, o senador teria demonstrado interesse em um apartamento localizado no residencial Poème Horto, empreendimento situado no bairro Horto Florestal, uma das áreas mais valorizadas de Salvador.
A PF afirma que Wagner encaminhou ao banqueiro Augusto Lima informações sobre o imóvel e o corretor responsável pela negociação. A partir disso, Lima teria acionado pessoas ligadas ao Banco Master para concluir a compra da unidade.
O senador reconheceu que pediu ao empresário que adquirisse o imóvel, mas sustenta que pretendia recomprá-lo futuramente para auxiliar sua filha.
“Eu tinha interesse de dar, de ajudar a minha filha a comprar um apartamento destes. Como o Guga [Augusto Lima] é um investidor, disse a ele: ‘Você pode comprar? Depois eu vou recomprar’. Porque o apartamento está em construção, não está pronto, e eu teria que vender o apartamento da minha filha para poder complementar e pagar o apartamento. Ou ela financiar”, afirmou.
Wagner ressaltou que o imóvel jamais foi transferido para seu nome.
A investigação também aponta repasses superiores a R$ 5,5 milhões para a BN Financeira, empresa administrada por familiares do senador. Segundo a PF, a companhia teria papel central nos pagamentos supostamente destinados ao núcleo familiar do parlamentar.
Além disso, os investigadores mencionam a utilização de aeronaves custeadas por Augusto Lima e pelo Banco Master, além do recebimento de ingressos para shows internacionais.
Parte das informações foi obtida a partir da análise de celulares apreendidos durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, realizada em novembro de 2025.
Mensagens e áudios extraídos dos aparelhos mostram conversas entre Wagner e Lima para encontros pessoais e deslocamentos em aeronaves disponibilizadas pelo empresário.
Outro ponto da investigação envolve a atuação do senador em propostas legislativas que, segundo a PF, poderiam beneficiar interesses do grupo Master.
Entre os casos citados estão emendas apresentadas durante a tramitação da Medida Provisória nº 1.106/2022, que resultou na Lei nº 14.431/2022, relacionada à ampliação da margem de crédito consignado para aposentados e beneficiários de programas sociais.
A PF também menciona a Emenda nº 26 à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 65/2023, que trata da autonomia orçamentária, financeira e operacional do Banco Central.
Wagner rejeitou qualquer acusação de favorecimento ao grupo econômico e destacou que atuou contra propostas defendidas pelo setor financeiro.
“O governo foi contra o aumento da garantia do FGC. Eu, como líder do governo, encaminhei contra essa emenda”, afirmou.
Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na residência do senador, em Brasília, agentes da Polícia Federal apreenderam US$ 49 mil em espécie, valor equivalente a cerca de R$ 250 mil.
Segundo a assessoria de Wagner, os recursos são provenientes de diárias oficiais pagas pelo Senado Federal para viagens internacionais e de recursos próprios declarados à Receita Federal.
“Comprei, via Banco do Brasil, dólares ou euros para fazer a viagem. Não tenho nada a esconder sobre este dinheiro. Ele está guardado em um cofre porque [quando] eu vou viajar, nem sempre eu levo a diária. Às vezes eu gasto com cartão e o dinheiro está lá”, explicou o senador.
Em nota, a defesa de Augusto Lima classificou as medidas realizadas na operação como desnecessárias.
“Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração. De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos”, afirmou.
Já a assessoria de Jaques Wagner reiterou que o parlamentar não é réu, não foi denunciado e segue colaborando com as autoridades.
“O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas”, destaca a nota.
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