

Presidente da Câmara, Hugo Motta, afirma que operação de crédito envolvendo o Banco Master está dentro da legalidade | Fotomontagem feita por IA
17 de junho de 2026 – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que uma operação de crédito envolvendo o Banco Master e uma empresa de sua cunhada está “dentro da legalidade”. A declaração foi dada após a divulgação de informações de que a Polícia Federal (PF) encontrou diálogos entre Motta e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre a liberação de um empréstimo.
Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, confirmada pelo g1, as conversas tratavam da liberação de pelo menos R$ 22 milhões do Banco Master para uma empresa de Bianca Medeiros, irmã de Luana Motta, esposa do presidente da Câmara. A negociação teria ocorrido em março de 2024.
Questionado sobre se atuou para liberar o financiamento à empresa da cunhada, Motta não respondeu diretamente. O parlamentar afirmou apenas que a operação de crédito “está dentro da legalidade”.
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O relatório da Polícia Federal faz parte do material produzido no âmbito da Operação Compliance Zero, investigação que apura possíveis fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Daniel Vorcaro está preso em Brasília.
Na terça-feira (16), o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou o sigilo de documentos enviados pela PF sobre o caso. A partir da decisão, vieram a público trechos de relatórios, mensagens e informações sobre supostos pagamentos de despesas envolvendo autoridades.
Além do episódio relacionado ao empréstimo, Motta também confirmou ter viajado para Portugal em um jato de Daniel Vorcaro, a convite do senador Ciro Nogueira (PP-PI). O presidente da Câmara afirmou que, na ocasião, não havia conhecimento de irregularidades envolvendo o ex-banqueiro.
De acordo com o material da PF, Vorcaro teria custeado despesas de hospedagem de Hugo Motta em um hotel de luxo em Lisboa. Motta disse que o ex-banqueiro teria pago apenas duas diárias na capital portuguesa.
O relatório, no entanto, aponta informações diferentes. Segundo a PF, documentos obtidos nos e-mails de Vorcaro indicariam pagamento por cinco dias de hospedagem, enquanto a fatura mencionaria sete dias.
A Polícia Federal também cita conversas em que Vorcaro e um auxiliar tratam da necessidade de reservar quartos para “Ciro e Hugo”. Para os investigadores, os nomes se referem ao senador Ciro Nogueira e ao presidente da Câmara, Hugo Motta.
Em uma das mensagens citadas no relatório da PF, Daniel Vorcaro teria enviado um áudio a um auxiliar pedindo atenção com a segurança e a privacidade do local onde estaria hospedado ou reunido com convidados.
“Leo, preciso muito que você dê uma atenção na questão de segurança. Cidade está lotada, eu tive lá no lugar agora. Tive uma reunião lá no clube. Tem que ter certeza que o lugar em frente ao restaurante também esteja privatizado porque senão dá pra ver tudo lá dentro. Tem que ter alguém lá embaixo, quando você sai do elevador já dá para ver tudo, quem tá, o que está acontecendo”, diz Vorcaro no áudio, segundo o relatório. O auxiliar respondeu: “Ok.”
A PF informou ter cruzado essas mensagens com documentos obtidos em e-mails de Vorcaro, incluindo faturas relacionadas a uma viagem a Lisboa em junho de 2024. Para os investigadores, as informações reforçam a conclusão de que determinados pagamentos estariam relacionados à hospedagem de Ciro Nogueira e Hugo Motta.
Questionado sobre o caso, Hugo Motta afirmou defender uma apuração “isenta e imparcial”. O presidente da Câmara também sustentou que a operação de crédito mencionada está dentro da legalidade.
Até a publicação das informações citadas no relatório da PF, Ciro Nogueira não havia se manifestado sobre o episódio. A investigação segue em andamento e ainda depende de novas etapas de apuração, análise documental e eventuais manifestações das defesas dos citados.
O caso amplia a repercussão política da Operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades ligadas ao Banco Master e coloca sob atenção as relações entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades públicas.
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