

Satélite experimental Pulsar-0 mapeia interferências em sinais de GPS na Europa e no Oriente Médio, revelando riscos para sistemas de navegação | Imagem: Lockheed Martin e Força Espacial dos EUA
17 de junho de 2026 – Um satélite experimental mapeou, pela primeira vez a partir do espaço, a dimensão das interferências em sinais de GPS na Europa e no Oriente Médio. Os dados surpreenderam os responsáveis pelo projeto e indicam que a adulteração de sinais de navegação por satélite ocorre em escala maior do que se imaginava.
As medições foram realizadas pelo Pulsar-0, primeiro satélite da constelação de navegação Pulsar, desenvolvida pela empresa norte-americana Xona Space Systems. O equipamento orbita a cerca de 500 quilômetros da Terra e testa uma tecnologia voltada a tornar os serviços de posicionamento, navegação e tempo mais resistentes a bloqueios e falsificações.
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Os sistemas de navegação por satélite, conhecidos como GNSS, incluem redes como o GPS dos Estados Unidos, o Galileo da Europa e o Beidou da China. Eles são fundamentais para atividades como aviação, operação de redes elétricas, transações financeiras, telecomunicações, agricultura de precisão, logística e navegação marítima.
O problema é que os satélites tradicionais de navegação orbitam a grandes altitudes, acima de 19 mil quilômetros da Terra. Com isso, os sinais chegam fracos aos receptores e podem ser bloqueados ou adulterados com relativa facilidade.
O bloqueio ocorre quando ruídos são sobrepostos ao sinal original. Já a falsificação, também chamada de spoofing, acontece quando sinais falsos substituem os reais, fornecendo coordenadas incorretas.
Segundo a equipe da Xona, o Pulsar-0 identificou degradação significativa dos sinais sobre a Europa e partes do Oriente Médio. Em algumas áreas mais afetadas, a intensidade do sinal de GPS na altitude do satélite caiu de cerca de 40 decibéis para apenas 10 decibéis.
“Quando sobrevoamos a América do Norte, por exemplo, vemos um sinal excelente o tempo todo. Mas assim que começamos a operar sobre a Europa, percebemos que havia algo realmente acontecendo por lá. Pensávamos que veríamos alguma interferência, mas é muito mais do que esperávamos”, afirmou Kaz Gunning, cofundador da Xona, ao Space.com.
Nos últimos anos, o bloqueio e a falsificação de sinais GNSS se tornaram uma preocupação global. Regiões em conflito têm registrado aumento desse tipo de interferência, especialmente em áreas próximas à Rússia, ao Oriente Médio e a rotas estratégicas de aviação e navegação.
Os dados também mostram que satélites em órbita baixa da Terra, região cada vez mais ocupada por constelações comerciais, não estão imunes aos efeitos de bloqueadores terrestres.
Segundo Gunning, satélites que dependem de sinais de GPS podem ter suas operações prejudicadas ao passar sobre regiões com interferência. Isso afeta desde o posicionamento e a orientação de antenas até a capacidade de capturar imagens de áreas específicas.
“Você perde a capacidade de GPS assim que sobrevoa essas regiões. Isso pode ser um problema para satélites de imageamento que estão tentando se posicionar para capturar imagens de uma determinada região. Você não consegue determinar a altitude, não consegue fazer o posicionamento sem o sinal de GPS. Você não consegue nem mesmo apontar com precisão para sua antena de telecomando em solo. Isso geralmente interrompe as operações do satélite”, explicou.
Constelações como a Starlink, da SpaceX, também dependem de sistemas de posicionamento para operações de segurança, inclusive para evitar colisões com outras espaçonaves.
A Xona pretende usar a constelação Pulsar para oferecer um serviço de posicionamento, navegação e tempo mais resiliente. A empresa afirma que os sinais transmitidos pelos satélites em órbita baixa serão até 100 vezes mais fortes do que os sinais GNSS tradicionais.
Com isso, bloqueadores atualmente utilizados teriam alcance reduzido. A expectativa é que a área afetada por interferências diminua de forma significativa.
“O efeito do bloqueio será reduzido a um raio menor. A área de degradação diminuirá e o raio total de bloqueio também diminuirá”, afirmou Gunning.
A empresa planeja lançar um lote de seis satélites em outubro e ampliar a produção em seguida. A previsão é iniciar serviços básicos em 2027, com cobertura progressiva à medida que a constelação for expandida.
Além de interferências deliberadas, tempestades solares severas também podem afetar sinais de navegação. Em maio de 2024, uma forte tempestade geomagnética prejudicou sistemas GNSS e afetou máquinas agrícolas de precisão em partes dos Estados Unidos.
O avanço das interferências reforça a importância de sistemas alternativos e mais robustos de posicionamento. Em um mundo cada vez mais dependente de satélites, redes digitais e infraestrutura conectada, a segurança dos sinais de navegação se tornou um tema estratégico para governos, empresas e usuários.
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