

Especialistas alertam que consultas preventivas são fundamentais para preservar a saúde e a fertilidade masculina. | Foto: divulgação
10 de julho de 2026 – A cultura de procurar atendimento médico apenas quando surgem sintomas ainda faz parte da rotina de muitos homens brasileiros. Esse comportamento pode atrasar o diagnóstico de doenças, reduzir as chances de sucesso dos tratamentos e comprometer até mesmo a fertilidade, segundo especialistas.
Enquanto as mulheres costumam criar uma rotina de acompanhamento médico desde cedo, muitos homens só procuram um urologista ou andrologista diante de sintomas como dores, alterações urinárias, dificuldades na vida sexual ou quando o casal enfrenta problemas para engravidar.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, os homens vivem, em média, cerca de sete anos a menos que as mulheres e apresentam maior risco de desenvolver e morrer em decorrência de doenças crônicas, cenário associado, entre outros fatores, à baixa adesão às consultas preventivas.
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Para o andrologista e urologista Dr. Bruno Hallan, a resistência masculina em buscar atendimento preventivo continua sendo um dos principais desafios para a promoção da saúde.
“O homem foi culturalmente ensinado a procurar o médico apenas quando existe um problema. Isso faz com que muitas doenças sejam descobertas tardiamente. A consulta preventiva não serve apenas para identificar doenças, mas para preservar a saúde sexual, hormonal e reprodutiva ao longo da vida”, destaca o especialista.
Segundo o médico, além de favorecer o diagnóstico precoce de doenças urológicas, as consultas periódicas possibilitam identificar alterações que podem comprometer a fertilidade masculina.
Entre elas estão a varicocele, distúrbios hormonais, infecções, alterações na produção de espermatozoides e fatores relacionados ao estilo de vida, como obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool e uso de anabolizantes.
Quando diagnosticadas precocemente, muitas dessas condições podem ser tratadas ou controladas, reduzindo impactos na saúde reprodutiva.
Os especialistas ressaltam que o fator masculino participa de uma parcela significativa dos casos de infertilidade conjugal.
Estudos apontam que entre 30% e 50% das dificuldades enfrentadas por casais para engravidar envolvem alterações relacionadas ao homem. Apesar disso, ainda é comum que a investigação inicial seja direcionada apenas à mulher.
O ginecologista especialista em reprodução humana Dr. Evangelista Torquato afirma que essa realidade é frequente na prática clínica.
“Recebemos muitas pacientes preocupadas porque não conseguem engravidar e, durante a investigação, descobrimos que o fator masculino também está presente. Muitas dessas alterações poderiam ter sido identificadas e tratadas anos antes, se esses homens realizassem consultas periódicas com um urologista ou andrologista. A prevenção também é um cuidado com a fertilidade e pode evitar que o casal só descubra um problema quando já está tentando ter filhos”, explica.
Os médicos reforçam que o acompanhamento preventivo não deve estar restrito ao câncer de próstata.
Consultas regulares permitem identificar precocemente diversas doenças, preservar a saúde sexual, hormonal e reprodutiva e ampliar as possibilidades de tratamentos mais eficazes, contribuindo para melhor qualidade de vida em todas as fases da vida.
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