

O publicitário Thiago Miranda Silva é apontado pela PF como o principal articulador do esquema. | Foto: reprodução/redes sociais
10 de julho de 2026 – A Polícia Federal (PF) afirma ter identificado um esquema que oferecia até R$ 2 milhões a influenciadores digitais e jornalistas para publicar conteúdos favoráveis ao Banco Master e críticos ao Banco Central. As informações fazem parte da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou uma nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (9).
A investigação aponta que o grupo seria liderado pelo banqueiro Daniel Vorcaro e que o publicitário Thiago Miranda Silva atuava como principal articulador da estratégia de comunicação, batizada de “Projeto DV”, referência às iniciais do empresário.
Em nota, a defesa de Thiago Miranda afirmou que sua atuação profissional sempre foi pautada pela “legalidade, transparência, respeito às instituições e pelo livre exercício da liberdade de expressão”. Os advogados também sustentam que ele não praticou “ato criminoso” nem participou de ações destinadas a intimidar, coagir ou violar direitos de terceiros.
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Segundo a Polícia Federal, influenciadores e profissionais da comunicação eram procurados para firmar contratos de prestação de serviços. Antes de conhecerem os detalhes da proposta, os convidados precisavam assinar um acordo de confidencialidade que previa multa de R$ 800 mil em caso de descumprimento.
Após a assinatura, os participantes recebiam a orientação de produzir conteúdos defendendo o Banco Master e criticando a atuação do Banco Central na condução do processo de liquidação da instituição financeira.
Um dos depoimentos citados na investigação é o do vereador Rony Gabriel, que afirmou ter sido procurado por um representante da empresa UNLTD para um suposto trabalho de gerenciamento de reputação. Somente após assinar o acordo de confidencialidade, segundo ele, foi informado de que deveria gravar vídeos sustentando que o Banco Master teria sido prejudicado pelo Banco Central.
De acordo com a PF, pessoas que recusavam participar da campanha passavam a ser alvo de ações de intimidação.
A investigação sustenta que o grupo utilizava informações privadas obtidas de forma ilícita para pressionar e constranger aqueles que não aceitavam aderir ao projeto.
Em depoimento, Thiago Miranda confirmou que realizava os pagamentos aos influenciadores.
Segundo o publicitário, os recursos utilizados provinham da venda de uma participação no portal de notícias Léo Dias, negociada por R$ 3,5 milhões. Os valores eram repassados pela empresa Super Empreendimentos e Participações, ligada a Daniel Vorcaro.
Para a Polícia Federal, no entanto, o dinheiro teria origem em um esquema de fraudes financeiras investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura supostas irregularidades envolvendo o Banco Master.
Ainda conforme o depoimento prestado à PF, Thiago Miranda afirmou que conheceu Daniel Vorcaro durante a negociação envolvendo o portal Léo Dias.
Posteriormente, segundo o relato, apresentou ao banqueiro um plano de reestruturação de imagem e gerenciamento de crise após sua primeira soltura, dando origem ao chamado Projeto DV.
O publicitário confirmou que o trabalho previa a produção de matérias relacionadas à prisão de Vorcaro e às investigações envolvendo o Banco Master.
A Polícia Federal também afirma que o grupo monitorava pessoas consideradas obstáculos aos interesses de Daniel Vorcaro.
Entre os casos citados está o da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Segundo a investigação, foram levantadas informações financeiras, patrimoniais e familiares da profissional, com o objetivo de constrangê-la e desacreditar seu trabalho.
A investigação aponta ainda que procedimento semelhante teria sido adotado em relação ao presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, e sua esposa.
Também são mencionadas conversas nas quais Thiago Miranda teria afirmado possuir proximidade com a companheira do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, além de mensagens comemorando a retirada de reportagens do ar.
Na decisão que autorizou as medidas cautelares, o ministro André Mendonça afirmou que os elementos apresentados pela Polícia Federal ultrapassam o campo das meras suposições.
Com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), o ministro autorizou buscas e apreensões, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Thiago Miranda.
Segundo o magistrado, a organização investigada apresentava “contornos de máfia” e atuava contra pessoas consideradas obstáculos aos interesses de Daniel Vorcaro.
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