
Governo dos Estados Unidos anunciou nova tarifa sobre produtos brasileiros alegando falhas no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. | Foto: EPA/SHUTTERSTOCK
23 de julho de 2026 – Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) uma nova tarifa de até 12,5% sobre importações provenientes de cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil. A medida entra em vigor à 0h01 desta sexta-feira (24), no horário de Washington, e tem como justificativa o combate à comercialização de produtos fabricados com trabalho forçado.
Segundo o governo norte-americano, países considerados eficientes na proibição da entrada desse tipo de mercadoria estarão sujeitos à tarifa de 10%. Já aqueles que, na avaliação das autoridades dos EUA, não adotaram mecanismos suficientes de fiscalização e controle, como o Brasil, terão alíquota de 12,5%.
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A decisão foi tomada após investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, utilizada para apurar práticas comerciais consideradas desleais.
Em documento divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o Brasil aparece entre os países que, segundo o governo americano, “falharam em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado”.
Para os Estados Unidos, essa situação prejudica empresas e trabalhadores americanos ao permitir a circulação de produtos fabricados sob condições consideradas irregulares.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou anteriormente que:
“A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável. Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais.”
A nova tarifa soma-se à taxa de 25% aplicada recentemente sobre produtos brasileiros, elevando, em alguns casos, a sobretaxa total para 37,5%.
Segundo o relatório do USTR, embora o Brasil mantenha compromissos internacionais de combate ao trabalho escravo e disponha da chamada Lista Suja do Trabalho Escravo, o governo americano entende que o país ainda não possui mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado em outros países.
Na prática, as novas alíquotas substituem a tarifa global de 10% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no início deste ano.
A medida anterior havia sido adotada com base na Seção 122 da legislação comercial americana, que autoriza a imposição de tarifas temporárias por até 150 dias. Com o encerramento desse prazo, o governo optou por utilizar a Seção 301 para aplicar novas tarifas específicas.
O governo brasileiro já aguardava a adoção da nova tarifa e mantém diálogo com representantes dos setores mais afetados para definir uma estratégia de resposta.
Entre as medidas adotadas está o Plano Brasil Soberano, lançado em 2025 para apoiar empresas impactadas pelas restrições comerciais. O programa prevê linhas de financiamento, ampliação de garantias para exportadores e ações de promoção comercial visando a abertura de novos mercados.
Nesta semana, o governo anunciou a terceira etapa do programa, liberando R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas prejudicadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos, incluindo setores como farmacêutico, fertilizantes, têxtil e companhias afetadas pelas dificuldades nas exportações para o Golfo Pérsico.
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