

Ferramenta de autoexclusão do governo bloqueia usuários de plataformas de apostas online e oferece orientação sobre saúde mental | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
19 de junho de 2026 – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou nesta sexta-feira (19) que quase 700 mil pessoas já utilizaram a ferramenta do governo federal de autoexclusão em plataformas e aplicativos de apostas online.
Com a solicitação, os usuários são automaticamente retirados e bloqueados dos sites e aplicativos autorizados a operar no país. Além disso, deixam de receber publicidade relacionada ao setor de apostas.
O serviço foi lançado em dezembro do ano passado e está disponível por meio da plataforma oficial do governo federal. Após concluir o processo de autoexclusão, o usuário recebe um documento confirmando a escolha.
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Segundo o governo, a autoexclusão centralizada é reconhecida como uma estratégia importante para reduzir danos à saúde mental relacionados ao uso problemático de apostas online.
A ferramenta pode ser acessada por meio de cadastro no portal gov.br. O usuário pode escolher o prazo de bloqueio por um, três, seis ou doze meses, além da opção por tempo indeterminado.
Durante o período selecionado, o CPF do apostador fica indisponível para novos cadastros em plataformas de apostas e para o recebimento de publicidade do setor.
De acordo com as regras do serviço, depois de selecionado o prazo de autoexclusão, não é possível reverter a decisão durante o período indicado.
A única exceção ocorre na modalidade por tempo indeterminado. Nesse caso, o usuário terá até um mês para invalidar a decisão, conforme informado pelo governo.
Ao realizar o procedimento, as pessoas também são convidadas a responder sobre os motivos que levaram à autoexclusão. Entre as opções estão decisão voluntária, dificuldades financeiras, recomendação de profissional de saúde, perda de controle sobre o jogo, prevenção de uso de dados em plataformas de apostas ou a opção de não informar o motivo.
Além do bloqueio nas plataformas de apostas, o serviço também disponibiliza informações sobre pontos de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
A plataforma direciona os usuários para o Meu SUS Digital e para a Ouvidoria do SUS, canais pelos quais é possível buscar orientação, identificar sinais de problemas relacionados ao vício em apostas e procurar ajuda especializada.
Também são ofertados teleatendimentos em saúde mental com foco em jogos e apostas, por meio de parceria com o Hospital Sírio-Libanês, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).
O crescimento das apostas online no Brasil tem ampliado o debate sobre regulação, publicidade, endividamento e impactos sociais. A autoexclusão surge como uma das medidas adotadas pelo governo para oferecer proteção a usuários que desejam interromper ou controlar o acesso a esse tipo de serviço.
Especialistas em saúde mental alertam que o uso compulsivo de plataformas de apostas pode afetar a vida financeira, emocional, profissional e familiar dos usuários. Por isso, ferramentas de bloqueio, canais de apoio e campanhas de conscientização são consideradas importantes para reduzir danos e orientar a população.
Com quase 700 mil solicitações registradas, a adesão à ferramenta mostra a dimensão do desafio enfrentado pelo país diante da expansão das apostas online e da necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção e ao cuidado.
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