

Pesquisa da UFC mostra que crianças que dormem mais horas apresentam melhor desempenho cognitivo, motor e socioemocional. | Foto: divulgação
06 de agosto de 2026 – Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) reforça a importância do sono na primeira infância ao demonstrar que crianças que dormem mais horas apresentam melhor desempenho em áreas essenciais do desenvolvimento, como cognição, linguagem, habilidades motoras e aspectos socioemocionais.
A pesquisa acompanhou 278 crianças entre 1 ano e meio e 2 anos de idade, fase considerada decisiva para o Desenvolvimento na Primeira Infância (DPI). O trabalho integra o projeto Iracema-Covid, que monitora crianças nascidas em Fortaleza durante o primeiro lockdown da pandemia de covid-19.
Os resultados foram publicados no artigo científico Effect of sleep duration on child development in Fortaleza, desenvolvido em parceria entre a UFC, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Universidade de São Paulo (USP) e a Harvard T. H. Chan School of Public Health, nos Estados Unidos.
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O levantamento mostrou que 84,53% das crianças dormiam mais de 11 horas por dia, com média de 12 horas e 14 minutos de sono, sendo aproximadamente 9 horas e 23 minutos durante a noite.
Já aquelas que dormiam menos apresentaram piores indicadores de desenvolvimento. Segundo os pesquisadores, cada hora adicional de vigília durante a madrugada esteve associada à redução de 0,12 ponto no domínio cognitivo, 0,11 no socioemocional e 0,09 no motor. O impacto no desenvolvimento geral foi de 0,11 ponto para cada hora em que a criança permaneceu acordada durante a noite.

De acordo com a professora do Departamento de Saúde Comunitária da UFC, Márcia Maria Tavares Machado, o chamado “sono curto” pode trazer reflexos perceptíveis no comportamento infantil.
“Crianças que dormem em curtos períodos durante o dia podem apresentar irritabilidade, choro frequente e baixa colaboração na interação com as pessoas ao seu redor”, explica.
Os pesquisadores destacam que o sono é um período de intensa atividade cerebral, especialmente durante a fase REM (Rapid Eye Movement), quando ocorrem processos fundamentais para a plasticidade neural, formação da memória e consolidação da aprendizagem.

Segundo o professor do Departamento de Fisioterapia da UFC, Shamyr Sulyvan Castro, o descanso adequado é indispensável para o desenvolvimento do cérebro nos primeiros anos de vida.
“O sono adequado permite que esses processos biológicos ocorram sem interferências, garantindo a arquitetura cerebral necessária para o aprendizado”, afirma.
Ele acrescenta que crianças com boa qualidade de sono costumam apresentar melhor interação social e maior participação em brincadeiras, fatores importantes para o desenvolvimento cognitivo.
“Crianças com boa qualidade de sono tendem a interagir melhor e participar de brincadeiras, essenciais para o desenvolvimento cognitivo”, destaca.
O estudo faz parte do projeto Iracema-Covid, que acompanha 351 crianças nascidas em hospitais públicos de Fortaleza entre julho e agosto de 2020, durante o primeiro lockdown da pandemia.
Os pesquisadores avaliam que o isolamento social, as mudanças na rotina familiar, a sobrecarga dos cuidadores e a redução das interações presenciais podem ter influenciado tanto o padrão de sono quanto o desenvolvimento infantil.
Entre os aspectos analisados, a linguagem apresentou evolução mais lenta em comparação com outros domínios. Segundo Márcia Machado, isso pode estar relacionado à diminuição das interações sociais presenciais durante os primeiros anos de vida.
“O desenvolvimento da linguagem não depende apenas do funcionamento cerebral, mas também da exposição a estímulos adequados nos primeiros anos de vida”, ressalta.
Os pesquisadores defendem que o sono seja tratado como parte essencial do cuidado infantil, sendo incorporado às consultas pediátricas e às ações da atenção primária à saúde.
A recomendação é que pais e cuidadores recebam orientações sobre higiene do sono, criação de rotinas adequadas e redução de estímulos noturnos, favorecendo o desenvolvimento saudável, a aprendizagem e o bem-estar emocional das crianças.
O projeto conta com financiamento da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) e da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Com informações da Agência UFC
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Tags: UFC, Universidade Federal do Ceará, sono infantil, desenvolvimento infantil, primeira infância, covid-19, pandemia, Fortaleza, pesquisa científica, saúde infantil, cognição, linguagem, habilidades motoras, saúde pública, Iracema-Covid, Harvard, USP, UFSC, Funcap, Portal Terra da Luz