

Aneel projeta alta média de 9,4% nas tarifas de energia elétrica em 2026, quase o dobro da inflação oficial esperada | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
20 de setembro de 2026 – A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) elevou para 9,4% a projeção do efeito tarifário médio nas contas de luz no país em 2026.
O percentual foi apresentado na terceira edição do boletim InfoTarifas deste ano, divulgado na sexta-feira (18), e supera as estimativas de inflação consideradas pela própria agência.
O documento trabalha com projeções de 4,4% para o IGP-M e de 5% para o IPCA. Com isso, o efeito médio previsto para as tarifas de energia fica quase no dobro da inflação oficial esperada para o ano.
A nova estimativa também supera a previsão anterior da Aneel.
Na edição passada do boletim, a agência projetava alta de 8,6% nas tarifas em 2026.
Agora, a projeção subiu para 9,4%, impulsionada principalmente por componentes financeiros e encargos setoriais incluídos nos processos tarifários.
Segundo a Aneel, os componentes financeiros respondem por 4,7 pontos percentuais da projeção nacional.
Também contribuem para o aumento os encargos setoriais, com impacto de 1,6 ponto percentual.
A compra de energia acrescenta 1,1 ponto percentual à projeção.
A transmissão representa 0,9 ponto percentual, enquanto os custos de distribuição, chamados de Parcela B, respondem por 0,8 ponto percentual.
A projeção de 9,4% já considera a decisão da diretoria da Aneel de distribuir recursos provenientes da repactuação das obrigações de pagamento pelo Uso de Bem Público (UBP) das usinas hidrelétricas.
A medida viabilizou o repasse preliminar de aproximadamente R$ 5,5 bilhões às distribuidoras situadas nas áreas de atuação da Sudam e da Sudene.
Os recursos são destinados à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e utilizados para reduzir os impactos tarifários sobre consumidores do mercado regulado.
No cálculo da projeção nacional, a Aneel considerou cerca de R$ 5,2 bilhões em recursos do UBP.
Esse valor teve efeito de redução de 1,9 ponto percentual sobre a estimativa.
Sem esse repasse, a pressão média sobre as tarifas de energia seria ainda maior.
A Aneel também homologou em 6,53% o Efeito Tarifário Limite Equilibrado (ETLEP).
O mecanismo busca distribuir os benefícios de forma mais equilibrada entre as 22 concessionárias contempladas e reduzir diferenças tarifárias entre as áreas de concessão.
A medida pretende suavizar parte das desigualdades nos reajustes aplicados aos consumidores atendidos pelas distribuidoras beneficiadas.
O boletim mostra que 16% do mercado das distribuidoras está em áreas com efeito tarifário médio superior a 15%.
Outros 10% estão na faixa entre 12% e 15%.
Na outra ponta, apenas 5% do mercado está em concessões com efeito inferior a 3%.
Dos 51 processos tarifários previstos para 2026, 15 correspondem a revisões tarifárias periódicas.
Nas distribuidoras de grande porte, os ativos imobilizados reconhecidos pela Aneel cresceram entre 32% e 57% em comparação com os valores do ciclo anterior corrigidos pela inflação.
Esse movimento acrescentou cerca de 0,3 ponto percentual à projeção nacional.
O boletim também aponta que diferimentos concedidos à CPFL Paulista, à Energisa Mato Grosso do Sul e à Copel reduziram o impacto tarifário médio em 0,8 ponto percentual.
Esses adiamentos somam aproximadamente R$ 2,1 bilhões e não estavam previstos na estimativa inicial.
Leia também | Pesquisa identifica oito exoplanetas com potencial de vida
Tags: Aneel, conta de luz, energia elétrica, tarifa de energia, aumento da conta de luz, InfoTarifas, IPCA, IGP-M, inflação, Uso de Bem Público, UBP, Conta de Desenvolvimento Energético, CDE, Sudam, Sudene, Norte, Nordeste, encargos setoriais, transmissão de energia, compra de energia, distribuição de energia, Parcela B, ETLEP, CPFL Paulista, Energisa Mato Grosso do Sul, Copel, economia, Brasil, Portal Terra Da Luz