

Crescimento da venda de anabolizantes no Brasil acende alerta para riscos cardíacos, mercado clandestino e uso sem acompanhamento médico | Foto: reprodução
31 de maio de 2026 – A morte do influenciador e fisiculturista Gabriel Ganley, aos 22 anos, ampliou o debate sobre o uso indiscriminado de anabolizantes no Brasil. Segundo dados citados pelo Jornal Nacional, a venda de testosterona, um dos hormônios mais usados como anabolizante, cresceu mais de 700% em sete anos.
O laudo da morte do influenciador apontou uma doença cardíaca, que pode ser agravada pelo uso de anabolizantes. Gabriel já havia admitido, em entrevistas, o uso desse tipo de substância. O caso reacendeu o alerta sobre a facilidade de acesso a hormônios, especialmente por meio do mercado clandestino na internet.
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No Brasil, hormônios como a testosterona têm indicação médica para situações específicas, como reposição hormonal ou perda de massa muscular decorrente de doenças. No entanto, o uso com finalidade estética, física ou esportiva é proibido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) desde 2023.
A restrição, porém, não impediu a expansão do consumo. A venda legal de testosterona atingiu recorde no ano passado. De 2024 para 2025, houve crescimento de 20%. Na comparação com 2018, o avanço passa de 700%.
O uso sem acompanhamento médico pode provocar complicações sérias, especialmente no sistema cardiovascular. O treinador e árbitro de fisiculturismo Bruno Masini relatou que começou a usar esteroides anabolizantes em busca de melhora estética.
“Eu comecei a usar esteroide anabolizante justamente para melhorar a minha aparência”, afirmou.
As consequências vieram depois.
“Tive um infarto agudo do miocárdio, onde tive que correr para o hospital para fazer um cateterismo”, relata Masini.
Especialistas alertam que o uso indiscriminado pode agravar doenças cardíacas, alterar o funcionamento hormonal, afetar fígado, rins, colesterol, pressão arterial e saúde mental, além de aumentar o risco de eventos cardiovasculares graves.
De acordo com Bruno Leandro de Souza, conselheiro federal do CFM, houve 15 processos relacionados ao tema no último ano. Questionado sobre o número ser baixo diante da dimensão do problema, ele afirmou que grande parte do uso não passa por prescrição médica.
“É pouco porque o grande número de informações e prescrições relacionadas a este problema não está partindo de médicos, está partindo do uso indevido, dos colegas mesmo de academia, de treino, de fisiculturismo. Na medicina, a gente conseguiu, com a resolução do CFM praticamente abolir ou diminuir muito a prescrição por médicos relacionados a este problema em relação a estas drogas”, explicou.
Apesar das restrições, anúncios na internet oferecem hormônios sem receita, com promessa de transformação rápida do corpo, compras por mensagens e entrega em diferentes regiões do País.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que a fiscalização é descentralizada, em conjunto com vigilâncias estaduais, e que monitora anúncios online. O desafio, segundo o órgão, é que páginas retiradas do ar voltam rapidamente em novos endereços.
A Polícia Civil de São Paulo informou que, somente neste ano, mais de 11 mil produtos irregulares foram apreendidos e uma pessoa foi presa por falsificação e venda clandestina.
Para a Sociedade Brasileira de Endocrinologia, o enfrentamento ao problema exige mais informação, fiscalização e punição. O diretor da entidade, Clayton Macedo, afirma que as penalidades ainda são pequenas diante do lucro movimentado pelo mercado clandestino.
“Eu acredito que falta denúncia, falta fiscalização e principalmente falta punição, né? Porque a legislação prevê uma sequência de penalidades e essas penalidades são pequenas perto do lucro que esse mercado gera”, avaliou.
O alerta dos especialistas é que anabolizantes não devem ser usados por conta própria, nem por indicação de colegas de academia, treinadores ou influenciadores. O uso seguro de hormônios depende de diagnóstico, indicação médica precisa e acompanhamento profissional.
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