
Pesquisadores identificaram mais de mil espécies marinhas em bancos de rodolitos, ecossistemas considerados fundamentais para a biodiversidade do litoral brasileiro. | Foto: Jan Pope/Cidadãos do Recife
31 de maio de 2026 – Um estudo publicado na revista científica Biological Conservation revelou a existência de mais de mil espécies marinhas vivendo em bancos de rodolitos ao longo do litoral brasileiro. Considerados os maiores do planeta, esses ambientes submarinos podem abrigar uma biodiversidade comparável ou até superior à encontrada em recifes de coral.
Conhecidos como “recifes de pedra rolantes”, os rodolitos são estruturas formadas lentamente por algas calcárias ao longo de centenas de anos. Embora tenham aparência simples, desempenham papel fundamental na manutenção da vida marinha.
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A pesquisa utilizou técnicas avançadas de DNA ambiental (eDNA) para identificar organismos presentes nos leitos marinhos. O método permite detectar vestígios genéticos deixados por diferentes espécies no ambiente, ampliando significativamente a capacidade de monitoramento da biodiversidade.
Segundo os cientistas, algumas das espécies identificadas podem ser totalmente novas para a ciência.
“Esses bancos de algas certamente abrigam uma diversidade muito maior do que a reconhecida atualmente”, afirmou Guilherme Pereira-Filho, biólogo marinho da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e autor do estudo.
Os pesquisadores analisaram depósitos de rodolitos localizados nas Ilhas da Queimada Grande e no arquipélago de Abrolhos, na Bahia, onde está situado o maior banco de rodolitos conhecido do mundo, com mais de 20 mil quilômetros quadrados.
As amostras foram coletadas entre 10 e 60 metros de profundidade. Em laboratório, os rodolitos passaram por um processo de trituração para análise genética utilizando a técnica conhecida como metabarcoding.
Esse procedimento permite identificar simultaneamente múltiplas espécies presentes em uma única amostra, oferecendo um retrato mais completo dos ecossistemas marinhos.
De acordo com os autores, os rodolitos funcionam como verdadeiros “engenheiros de habitat”, formando estruturas semelhantes a recifes que servem de abrigo e área de alimentação para peixes, algas e pequenos invertebrados.
O estudo também acende um alerta para os riscos enfrentados pelos bancos de rodolitos no Brasil. Entre as principais ameaças apontadas estão a pesca de arrasto, a acidificação dos oceanos, atividades de mineração e a exploração de petróleo.
A preocupação dos pesquisadores aumentou após o anúncio de planos para exploração petrolífera nas proximidades da foz do Rio Amazonas. Recentemente, cientistas identificaram na região um novo banco de rodolitos com cerca de 9.500 quilômetros quadrados.
Especialistas alertam que impactos causados por perfurações ou eventuais derramamentos de óleo podem demorar décadas para serem revertidos, já que os rodolitos apresentam crescimento extremamente lento, frequentemente inferior a um milímetro por ano.
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