

Tecnologias como torres de monitoramento, algoritmos de detecção de fumaça e aplicativos offline ajudam brigadistas no combate a incêndios no Cerrado | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
31 de maio de 2026 – Torres de monitoramento em tempo real, algoritmos capazes de detectar fumaça e aplicativos que funcionam mesmo sem internet estão transformando a rotina de brigadistas que atuam no combate a incêndios em unidades de conservação do Cerrado.
As iniciativas, apoiadas pelo Programa Copaíbas, têm como objetivo reduzir o tempo de resposta aos focos de fogo, fortalecer brigadas comunitárias e ampliar a proteção de áreas ambientais em um dos biomas mais ameaçados do Brasil.
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Criado para atuar nos biomas Amazônia e Cerrado, o Programa Copaíbas desenvolve ações voltadas à redução do desmatamento, ao fortalecimento de unidades de conservação e ao apoio a povos indígenas e populações tradicionais.
O programa é gerido pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e financiado pela Iniciativa Internacional da Noruega pelo Clima e Florestas.
Segundo a gerente do programa, Paula Ceotto, desde 2022 o Copaíbas também investe na aquisição de equipamentos e equipamentos de proteção individual para unidades de conservação.
“O Copaíbas apoia atividades de planejamento, capacitação e implementação de ações de Manejo Integrado do Fogo (MIF), inclusive por meio de uma chamada iniciada em 2025, que destinou R$ 5 milhões a projetos em Unidades de Conservação e seus entornos”, afirma.

Uma das experiências mais recentes foi instalada no Parque Nacional da Serra da Bodoquena, no Mato Grosso do Sul. No local, uma torre equipada com câmeras de alta resolução começou a operar em maio.
O equipamento utiliza algoritmos capazes de identificar sinais iniciais de fumaça quase em tempo real. A tecnologia permite que as equipes sejam acionadas com mais rapidez, reduzindo o tempo de resposta no combate aos incêndios.
Consultor ambiental da Fundação Neotrópica do Brasil, instituição responsável pela instalação do equipamento, Guilherme Dalponti explica que o sistema se diferencia de modelos baseados apenas em imagens de satélite, que podem apresentar atraso na detecção do fogo.
“O sistema envia alertas imediatos às equipes que realizam o monitoramento”, descreve.
A torre foi posicionada em ponto estratégico do parque para ampliar a cobertura das áreas mais afetadas por queimadas. Segundo Dalponti, o monitoramento já alcança cerca de 90% da unidade de conservação, que possui aproximadamente 76 mil hectares.
Além da estrutura tecnológica, o projeto inclui formação de brigadas comunitárias, capacitação para uso de equipamentos e ações de educação ambiental.
Outra iniciativa apoiada pelo Copaíbas é o aplicativo Caminho do Fogo, desenvolvido pela Rede Contra Fogo para auxiliar brigadistas durante as operações.
A ferramenta reúne dados sobre ocorrências, localização e território, permitindo comunicação entre equipes, monitoramento e registro das ações mesmo em áreas sem acesso à internet.
“Esses dados apoiam o monitoramento, o planejamento das ações, a comunicação entre equipes, o combate, a prevenção e a produção de relatórios de ocorrência”, explica Ivan Anjo Diniz, coordenador e brigadista da rede.
O aplicativo também registra os trajetos percorridos pelas equipes, facilitando o retorno à base em áreas desconhecidas. A ferramenta já é testada em diferentes regiões do País, incluindo Alter do Chão, no Pará, e o Parque Nacional das Emas, em Goiás.
A expectativa é que a primeira versão oficial do aplicativo Caminho do Fogo seja lançada em julho de 2026. O sistema integra informações geográficas, registros operacionais e monitoramento por satélite em uma única plataforma.
Com isso, os dados poderão ser compartilhados também com sistemas oficiais, ampliando a capacidade de planejamento, prevenção e resposta aos incêndios florestais.
As tecnologias reforçam a importância da inovação no enfrentamento às queimadas, especialmente em regiões de difícil acesso, onde a comunicação, o deslocamento e a identificação rápida dos focos de fogo são desafios permanentes para as brigadas.
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