

Margem Equatorial, no extremo norte do Brasil, é apontada por especialistas como nova fronteira petrolífera do país | Foto: reprodução
16 de agosto de 2026 – A Margem Equatorial, no extremo norte do Brasil, é apontada por especialistas como uma das grandes fronteiras petrolíferas do mundo e pode se transformar em uma espécie de “novo pré-sal” para o país.
A comparação não se refere à formação geológica das bacias, que são diferentes, mas ao potencial de volume de petróleo que a região pode oferecer.
Segundo o analista de Política da CNN Caio Junqueira, especialistas estimam que a área possa reunir entre 6 bilhões e 10 bilhões de barris.
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O pré-sal clássico, localizado principalmente na região Sudeste, tem reservas estimadas em cerca de 12 bilhões de barris.
Na Margem Equatorial, a estimativa mais conservadora aponta para 6 bilhões de barris, metade do volume associado ao pré-sal.
Há, no entanto, projeções que chegam a 10 bilhões de barris.
“Por isso que é considerada como uma grande fronteira petrolífera e das últimas do mundo”, afirmou Caio Junqueira.
A pesquisa da Petrobras na região foi inicialmente adiada.
Segundo Junqueira, o governo segurou o processo por algum tempo, mas, após intensa pressão política, inclusive do presidente Lula e do senador Davi Alcolumbre, o Ibama concedeu a licença para a perfuração de pesquisa.
A autorização, porém, não significa início imediato de produção comercial.
O analista ressalta que o intervalo entre a pesquisa e a geração efetiva de receita pode ser longo.
“Da pesquisa para virar dinheiro, tem uma estimativa que pode ser 5 anos, 6 anos, 7 anos”, afirmou Caio Junqueira.
Como referência, ele citou o poço de Búzios, no Rio de Janeiro, onde foram necessários aproximadamente quatro anos até o início de algum tipo de exploração.
Outro ponto que aumenta as expectativas em torno da Margem Equatorial é a possível qualidade do petróleo.
Segundo Junqueira, a bacia tem relação com a mesma formação explorada na Guiana, país vizinho ao Brasil.
“A Guiana hoje é o país que mais cresce no mundo justamente em razão da exploração de petróleo”, observou Caio Junqueira.
A possibilidade de uma descoberta relevante no Norte do Brasil já movimenta o mercado, especialmente em um cenário global ainda fortemente dependente do petróleo.
A exploração da Margem Equatorial envolve também debates ambientais, regulatórios e econômicos.
A região tem importância estratégica para o país, mas qualquer avanço depende de pesquisa, licenciamento, avaliação de riscos e definição de regras para uma eventual produção futura.
O tema coloca em discussão o equilíbrio entre desenvolvimento econômico, segurança energética, arrecadação pública e proteção ambiental.
Um dos pontos centrais do debate é o destino dos recursos que poderão ser gerados caso a exploração avance.
Estados próximos à Margem Equatorial brasileira, como Amapá e Maranhão, estão entre os mais pobres do país.
Para Junqueira, será necessário discutir desde cedo como aplicar essas receitas de forma eficiente e socialmente justa.
“Tem que ter o debate de fazer uma devida aplicação desses recursos, para não cometer o mesmo erro que foi feito com os recursos do pré-sal, que acabou sendo destinado para poucos órgãos e municípios”, alertou Caio Junqueira.
A Margem Equatorial é vista como uma área de alto potencial para ampliar as reservas brasileiras de petróleo.
Caso as projeções se confirmem, a região poderá ganhar papel estratégico na política energética nacional.
O desafio será transformar eventuais descobertas em riqueza para o país, com planejamento, transparência, responsabilidade ambiental e distribuição mais equilibrada dos benefícios econômicos.
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