

Jornalista Luan Araújo teve prisão em regime aberto determinada após não pagar indenização por difamação contra Carla Zambelli | Fotomontagem feita com auxílio de IA
05 de junho de 2026 – O juiz José Fernando Steinberg, do Juizado Especial Criminal do Foro de Barra Funda, em São Paulo, determinou a prisão, em regime aberto, do jornalista Luan Araújo, perseguido em outubro de 2022 pela então deputada federal Carla Zambelli, que empunhava uma arma de fogo durante o episódio.
A ordem de prisão foi expedida após o não pagamento de uma indenização por difamação a que Araújo foi condenado. O jornalista foi considerado culpado por ter publicado, depois da perseguição, um texto com críticas à então parlamentar.
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No texto que motivou a ação, Luan Araújo afirmou que Zambelli integrava uma “seita de doentes de extrema direita que a segue incondicionalmente e segue cometendo atrocidades”. Ele também escreveu que o grupo seria formado por “mercadores da morte”.
Processado pela então deputada, Araújo foi absolvido do crime de injúria, mas acabou condenado ao pagamento de indenização por difamação. Com multas e custas processuais, o valor atualizado da dívida é de pouco mais de R$ 2,2 mil.
Na decisão, publicada em 1º de junho, o magistrado afirmou que o jornalista, mesmo intimado, não cumpriu a prestação pecuniária imposta.
“Com efeito, tendo em vista que o condenado, apesar de devidamente intimado, não cumpriu a prestação pecuniária imposta, nos termos do artigo 44, parágrafo 4º, do Código Penal, converto a pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade, nos moldes da sentença prolatada”, escreveu o juiz José Fernando Steinberg.
A Agência Brasil informou que tentou contato com a defesa de Luan Araújo, mas não obteve retorno.
O episódio envolvendo Carla Zambelli e Luan Araújo ocorreu dias antes do segundo turno da eleição presidencial de 2022. Os dois se envolveram em um bate-boca nas ruas de São Paulo, que terminou com a então deputada sacando uma arma de fogo e perseguindo o jornalista.
A perseguição ocorreu pelas ruas da capital paulista e também dentro de uma lanchonete. A ação foi registrada por pessoas que estavam no local e teve grande repercussão nacional.
Em agosto do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Carla Zambelli a 5 anos e 3 meses de prisão pelo episódio. Ela foi considerada culpada pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma.
A condenação se tornou definitiva, mas Zambelli já havia deixado o Brasil em julho e foi para a Itália para fugir da prisão relacionada a outro processo.
Carla Zambelli também foi condenada a 10 anos de prisão por ter sido apontada como mentora de uma invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O Brasil pediu a extradição da ex-deputada. O pedido chegou a ser concedido pelas primeiras instâncias da Justiça italiana, mas foi cassado em maio pela Corte de Apelação de Roma.
O caso segue provocando debates jurídicos e políticos, especialmente por envolver liberdade de expressão, difamação, uso de arma de fogo, responsabilização judicial e os desdobramentos criminais da atuação da ex-parlamentar.
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