

CCJ da Câmara aprova admissibilidade de PEC que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos; texto ainda precisa passar por novas etapas | Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados
10 de junho de 2026 – A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (10), a admissibilidade de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. A proposta foi aprovada por 44 votos favoráveis e 18 contrários, segundo informações publicadas pelo g1.
O texto altera o artigo 228 da Constituição Federal, que atualmente estabelece que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis e ficam sujeitos às normas da legislação especial. Com a mudança, adolescentes a partir de 16 anos passariam a ser considerados penalmente imputáveis nos termos previstos pela proposta.
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A aprovação na CCJ não significa que a PEC já esteja em vigor. Nesta etapa, a comissão analisou a admissibilidade da proposta, ou seja, se o texto pode continuar tramitando na Câmara.
Agora, cabe ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), criar uma comissão especial para debater o mérito da PEC. Somente depois dessa fase o texto poderá seguir para votação no plenário da Casa. Para ser aprovado, precisará do apoio de pelo menos 308 deputados em dois turnos de votação.
A proposta original é de autoria do então deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE). Além da redução da maioridade penal, o texto inicial também previa mudanças em direitos políticos, como tornar obrigatório o voto para maiores de 16 anos e reduzir a idade mínima para candidatura a cargos eletivos.
O relator, deputado Coronel Assis (PL-MT), retirou esses trechos e manteve apenas as alterações relacionadas à maioridade penal. Segundo ele, os dispositivos sobre direitos políticos tratavam de matéria estranha à imputabilidade penal e feriam o princípio da unidade de matéria.
Durante a discussão, o relator afirmou que a proposta não afronta a Constituição nem tratados internacionais ratificados pelo Brasil.
“Não há violação em discutir-se a redução da idade penal. A imputabilidade penal aos 16 anos não configura, por si, afronta a tratado internacional de direitos humanos ratificado pelo Brasil, desde que preservados os direitos fundamentais do menor no processo penal, notadamente o tratamento distinto dos adultos”, afirmou Coronel Assis.
Parlamentares governistas e da oposição ao texto tentaram obstruir os trabalhos da comissão e apresentaram requerimentos para retirar a PEC da pauta, mas foram derrotados.
A deputada Erika Kokay (PT-DF) criticou a proposta e afirmou que a emenda fere direitos fundamentais.
“Estão querendo colocar os adolescentes em um sistema prisional superlotado, em que não há nem segurança alimentar. Está se querendo tirar garantias e direitos fundamentais. Uma cláusula pétrea não pode ser modificada por emenda constitucional. É uma matéria que fere direitos e garantias individuais”, declarou.
A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) também se manifestou contra a PEC e disse que a medida não resolve o problema da segurança pública.
“Não é possível pensar no futuro do Brasil sem pensar nas crianças e nos adolescentes. Não é uma agenda que interessa o futuro do Brasil”, afirmou. “Não vai resolver o problema da segurança pública. É um uso eleitoreiro”.
Deputados favoráveis à proposta argumentaram que adolescentes entre 16 e 18 anos são usados por facções criminosas e, em alguns casos, cometem crimes graves pela sensação de impunidade.
O deputado Lucas Redecker (PSDB-RS) defendeu a mudança durante a reunião da CCJ.
“Eu acho que os adolescentes 16 a 18 anos, que muitas vezes são os ponta de lança dos crimes de facções criminosas e de forma independente, justamente por não terem a questão da punibilidade da maneira que deveriam ter, cometem esses crimes”, afirmou.
A redução da maioridade penal chegou a ser discutida dentro da PEC da Segurança Pública, mas ficou fora do texto levado à votação. Na ocasião, o presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que o tema seria tratado em proposta separada.
Com a aprovação na CCJ, o debate volta ao centro das discussões no Congresso. A proposta, no entanto, ainda terá um longo caminho legislativo antes de qualquer mudança na Constituição.
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