

Veículos elétricos e híbridos ampliam presença nas ruas do Ceará e impulsionam demanda por eletropostos, infraestrutura residencial de recarga e serviços especializados de manutenção | Foto: Imagem ilustrativa
24 de setembro de 2026 – Terceiro maior mercado de veículos eletrificados em circulação no Nordeste, o Ceará fechou o primeiro semestre deste ano com 5.500 novos modelos elétricos e híbridos comercializados. Os dados são da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), que apontava em abril deste ano para 21.610 registros no estado. Ainda maioria, os veículos a combustão seguem dividindo espaço com o presente o futuro dessa mobilidade, ainda resistente por alguns condutores devido à necessidade de infraestrutura adequada para recarregar o veículo, por exemplo.
Distribuídos em shoppings, supermercados, concessionárias, postos e estacionamentos, os eletropostos, como são conhecidos os pontos de recarga dos carros elétricos, estão presentes em diferentes regiões da cidade. No entanto, ainda são insuficientes para o avanço que se apresenta deste tipo de mobilidade. Fortaleza, por exemplo, reúne 196 pontos de recarga mapeados, dos quais 85 de acesso público, 19 de uso restrito e 16 classificados como em manutenção. Entre os locais com preço informado, os valores variam de R$ 0,49 a R$ 3,99 por kWh.
O custo também ajuda a dimensionar essa mudança. Uma estimativa aponta que um veículo elétrico com consumo de 15 kWh a cada 100 quilômetros gasta cerca de R$ 14,00 em uma recarga residencial, considerando a tarifa de R$ 0,94 por kWh. Já um carro a combustão com média de 10 km por litro gastaria cerca de R$ 69,90 para percorrer a mesma distância, considerando a gasolina comum a R$ 6,99 por litro em Fortaleza, conforme o levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
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Para quem mora em apartamento, a recarga em casa envolve outros fatores. Antes da instalação, é necessário avaliar a capacidade elétrica do condomínio. Um engenheiro eletricista pode analisar a demanda e verificar se a rede comporta a carga adicional dos carregadores, indicando adequações. Em Fortaleza, a Lei Municipal nº 11.232/2023 prevê a instalação de carregadores em condomínios, desde que sejam observados requisitos de segurança e regras internas. O investimento depende das condições da estrutura. Uma instalação individual pode custar entre R$ 3.500 e R$ 7 mil quando a infraestrutura está preparada, enquanto projetos que exigem reforço de carga podem ultrapassar R$ 15 mil.
Por outro lado, a tecnologia tem sido uma grande aliada das oficinas que acompanham esse movimento, trazendo mais segurança e agilidade para o cliente. É um diagnóstico eletrônico (scanner), que faz a leitura de códigos de falha, testes de atuadores e até diagnóstico de módulos eletrônicos; o osciloscópio automotivo, que analisa os sinais de sensores, bobinas, injetores, sensores de rotação / fase e redes de comunicação; analisador de gases, que mede CO, CO2, HC, O2 e, dependendo do equipamento, Nox, que ajuda a avaliar combustão e emissões; alinhamento computadorizado, por meio de equipamentos 3D ou por sensores para medir geometria da suspensão e direção; e teste de bateria e sistema de carga, entre tantos outros.
Já no caso dos veículos elétricos, estes não utilizam óleo de motor, mas exigem atenção a componentes como bateria, sistema de arrefecimento, eletrônica, freios e pneus. Por isso, este modelo exige conhecimento técnico específico para diagnósticos e reparos. Ressalto, também, que o tempo de recarga faz parte da adaptação à mobilidade elétrica. Em casa, o uso de um wallbox, carregador instalado na parede para veículos elétricos, pode levar de quatro a 12 horas para completar a carga. Já nos eletropostos com carregamento rápido, a bateria pode ser carregada de 20% a 80% em cerca de 30 a 50 minutos. O tempo varia conforme a potência do equipamento, a capacidade da bateria e as características de cada veículo.
Estamos diante do presente e do futuro da mobilidade, mas, o principal é acompanhar os benefícios que a tecnologia pode nos fornecer para atender a necessidade do condutor, sempre respeitando o meio ambiente.
Por Leonardo Mendonça, especialista automotivo.
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