

Compatibilidade entre irmãos possibilitou transplante de medula óssea para paciente diagnosticada com leucemia durante a gravidez. | Foto: divulgação
24 de setembro de 2026 – Uma gravidez, um diagnóstico inesperado e uma corrida contra o tempo marcaram a trajetória de Amanda Souza, médica e mãe de Sofia. Durante a gestação da filha, ela descobriu que estava com leucemia e precisaria passar por um transplante de medula óssea. A possibilidade de um novo começo surgiu dentro da própria família: seu irmão, João Henrique Souza, foi identificado como doador compatível.
A história é lembrada pelo Hospital Cura D’Ars, da Rede São Camilo, em Fortaleza, durante o período de conscientização sobre a importância da doação de órgãos, tecidos e medula óssea. O caso destaca o papel da compatibilidade entre familiares no tratamento de pacientes que necessitam do transplante.
O transplante de medula óssea é utilizado no tratamento de doenças que comprometem a produção das células do sangue, como leucemias, linfomas e outras doenças hematológicas. Quando não existe um doador compatível na família, a busca pode ser realizada por meio do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome).
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A descoberta da leucemia aconteceu enquanto Amanda esperava o nascimento da filha. O diagnóstico transformou a rotina da médica, que precisou conciliar a gestação com exames, tratamentos e decisões relacionadas à própria saúde.
“Minha história mudou completamente quando, na gravidez da minha filha, descobri o diagnóstico de leucemia. Foi um momento muito difícil porque, além de eu estar gerando uma vida, agora eu precisava cuidar da minha própria vida”, conta.
Com o diagnóstico, o transplante de medula óssea passou a fazer parte do tratamento. A possibilidade de encontrar um doador compatível na própria família se tornou uma etapa importante para a continuidade do processo.
A confirmação de que João Henrique Souza poderia realizar a doação trouxe uma nova perspectiva para Amanda. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), quando a busca é feita entre irmãos dos mesmos pais, a probabilidade de encontrar um irmão totalmente compatível é de aproximadamente 25%.
Para Amanda, a notícia representou esperança diante das incertezas relacionadas ao transplante.
“No início eu senti medo. O transplante é um tratamento que carrega muitas dúvidas e incertezas. Quando ouvimos essa palavra, pensamos em tudo que teremos que enfrentar. Mas, ao mesmo tempo, eu recebi essa notícia como uma nova chance de cura, de recomeço, de poder ver e acompanhar o crescimento da minha filha e de realizar os sonhos que eu ainda tenho”, relata.
A compatibilidade encontrada dentro da família possibilitou a realização do transplante e se tornou uma etapa decisiva na trajetória de tratamento da paciente.
O Ceará vem registrando crescimento no número de transplantes realizados. Segundo dados da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), o Estado contabilizou 2.029 transplantes de órgãos e tecidos em 2024, sendo 97 de medula óssea.
Em 2025, foram registrados 2.097 transplantes. Desse total, 113 foram transplantes de medula óssea autólogos, 50 alogênicos e cinco alogênicos não aparentados, conforme os dados da Sesa.
No Brasil, o Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), coordenado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), reúne milhões de voluntários cadastrados. Quando o paciente não encontra um doador compatível entre familiares, a busca pode ser realizada no cadastro nacional, que também possui integração com registros internacionais.
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