

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, decidiu manter para terça-feira (15) a sessão que analisará o caso envolvendo mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. | Foto: Alejandro Zambrana/STF
12 de setembro de 2026 – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, negou neste sábado (12) o pedido apresentado por Alexandre de Moraes para que os processos envolvendo os dois ministros fossem analisados conjuntamente. Com a decisão, a sessão extraordinária marcada para terça-feira (15) continuará dedicada exclusivamente ao caso que envolve mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes.
No mesmo despacho, Fachin marcou para 23 de setembro a sessão destinada a analisar o pedido de investigação relacionado ao ministro André Mendonça. Segundo o presidente do STF, o procedimento ainda está em fase de instrução e não reúne, neste momento, todos os elementos necessários para ser levado ao plenário.
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Moraes havia solicitado que os dois casos fossem julgados em conjunto. O ministro argumentou que a separação poderia provocar um “risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual”.
Na avaliação de Moraes, a inclusão apenas do processo relacionado a ele poderia impedir uma análise completa dos fatos pelos integrantes do Supremo.
Fachin, entretanto, considerou que os procedimentos possuem objetos diferentes e estão em estágios processuais distintos.
A Petição 16.662, que reúne o relatório da Polícia Federal sobre as mensagens atribuídas a Vorcaro, foi liberada para julgamento por Mendonça em 6 de setembro. Já a Petição 16.704, que trata dos questionamentos envolvendo Mendonça, ainda aguarda manifestações e informações solicitadas pela Presidência do STF.
“A manutenção em pauta tão somente da Pet 16.662 assegura a precisa delimitação do objeto da deliberação deste tribunal”, escreveu Fachin.
A sessão extraordinária de terça-feira (15), a partir das 10h, analisará o relatório da Polícia Federal que identificou mais de 50 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro para um número de telefone que, segundo a investigação, seria utilizado por Moraes.
O material foi produzido no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master e se tornou público após ser elaborado a pedido de Mendonça.
A divulgação dos documentos provocou uma crise interna no STF. Moraes questionou a forma como os elementos da investigação foram tornados públicos e acusou Mendonça de ter feito uma “escolha seletiva” na divulgação do material.
Segundo Moraes, aproximadamente 180 peças e arquivos permaneceram sob sigilo. O ministro pediu o levantamento integral da confidencialidade dos procedimentos relacionados ao caso.
A Petição 16.704 reúne questionamentos apresentados por Moraes sobre a atuação de Mendonça nas investigações relacionadas ao Banco Master e ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Entre os pontos levantados estão suspeitas de usurpação da direção das investigações, condução irregular de tratativas relacionadas a delação premiada, suposto direcionamento de apurações contra Moraes e possível atuação seletiva na condução dos procedimentos.
Fachin ressaltou que parte das informações solicitadas ainda precisa ser apresentada. Alguns dos prazos para manifestações terminam na segunda-feira (14), véspera da sessão que analisará o caso envolvendo Moraes, enquanto outros se estendem para além dessa data.
Segundo o presidente do STF, levar o processo contra Mendonça ao plenário na terça-feira significaria submeter aos ministros uma matéria cuja instrução preliminar ainda não foi concluída.
Além da solicitação para que os processos fossem analisados conjuntamente, Moraes fez outros pedidos a Fachin. O ministro requereu o levantamento de “todo e qualquer sigilo, sem exceção” dos procedimentos relacionados à Petição 15.556.
Moraes também pediu que todos os integrantes da magistratura citados nos procedimentos fossem intimados a prestar informações e que fossem adotadas medidas destinadas à defesa das prerrogativas do Judiciário.
Sobre os sigilos, Fachin informou que um pedido semelhante já havia sido apresentado pelo ministro Cristiano Zanin e que as providências correspondentes já haviam sido adotadas. A solicitação para ouvir os magistrados será analisada posteriormente.
A divergência entre Moraes e Mendonça ocorre em meio às investigações da Polícia Federal sobre suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e possíveis ramificações políticas.
Uma das frentes da apuração também envolve o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O caso gerou divergências no STF sobre a definição do ministro responsável pela centralização dos procedimentos relacionados às diferentes frentes da investigação.
Com a decisão de Fachin, o Supremo terá duas sessões distintas: a primeira, na terça-feira (15), para analisar o caso envolvendo Moraes; e a segunda, em 23 de setembro, para tratar das questões relacionadas a Mendonça.
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