

A defesa do senador Flávio Bolsonaro tentou quatro vezes transferir para o ministro André Mendonça a investigação sobre emendas parlamentares relacionadas à produtora do filme “Dark Horse”. | Foto: Carlos Moura/ SCO/STF
12 de setembro de 2026 – A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), candidato à Presidência da República, tentou quatro vezes transferir do ministro Flávio Dino para o ministro André Mendonça a investigação sobre a destinação de emendas parlamentares a entidades ligadas à produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As solicitações foram apresentadas entre os dias 3 e 29 de julho deste ano. As duas primeiras foram encaminhadas ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. As outras duas foram destinadas diretamente ao ministro Flávio Dino.
Em um dos pedidos, os advogados de Flávio Bolsonaro argumentaram que André Mendonça, por já conduzir outras investigações relacionadas ao filme “Dark Horse”, também deveria assumir a apuração sobre o possível uso de recursos públicos na produção.
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A defesa afirmou que a tramitação das petições no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 854 teria provocado uma vinculação artificial do caso ao ministro Flávio Dino.
“Demonstrou-se que o protocolo das petições no âmbito da ADPF nº 854 não se deu por acaso, mas se tratou de verdadeira manipulação das regras de competência, a fim de criar uma prevenção artificial e inexistente do Exmo. Min. Flávio Dino para os fatos”, afirmou a defesa.
A estratégia dos advogados buscava fazer com que a investigação sobre a utilização de emendas parlamentares fosse analisada pelo mesmo ministro responsável por outros procedimentos envolvendo o financiamento e a produção da cinebiografia.
As investigações relacionadas ao filme “Dark Horse” envolvem diferentes frentes. Entre elas está a apuração sobre repasses de R$ 62,8 milhões realizados por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro.
A Polícia Federal também investiga a eventual destinação de parte desses recursos para custear a permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Outra frente apura a indicação de emendas parlamentares para entidades relacionadas à produtora responsável pelo filme sobre Jair Bolsonaro.
Na quinta-feira (10), a Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em uma operação relacionada ao financiamento de “Dark Horse”.
Entre os alvos estavam o ex-ministro e ex-deputado federal Mario Frias e Karina Gama, proprietária da Go Up, produtora da cinebiografia.
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino e teve como objetivo reunir elementos sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, segundo informações divulgadas pela Polícia Federal.
De acordo com a PF, foram identificadas movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas que teriam ligação com o esquema investigado.
As apurações envolvem suspeitas de crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações.
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