

As entidades alegam impactos econômicos e jurídicos e citam o risco de migração para o mercado clandestino. | Foto: Anna Tolipova|/Agência Senado
28 de setembro de 2026 – A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) protocolaram, nesta segunda-feira (28), no Supremo Tribunal Federal (STF), um pedido para suspender os efeitos da medida provisória que determina a proibição da exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa e cassinos online no Brasil.
As entidades pedem que a medida seja suspensa integralmente até que o Congresso Nacional delibere sobre o tema ou até o julgamento das ações relacionadas ao setor que tramitam no STF. O pedido foi encaminhado ao ministro Luiz Fux, relator de ações sobre o assunto na Corte.
As associações argumentam que a medida provisória foi publicada sem demonstração de urgência e que a interrupção das atividades autorizadas de forma imediata compromete a segurança jurídica.
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No documento apresentado ao STF, ANJL e IBJR afirmam que empresas autorizadas a operar no mercado formal realizaram investimentos para atender às exigências estabelecidas pelo poder público.
Segundo as entidades, as operadoras pagaram taxas de outorga de R$ 30 milhões por licença, além de constituírem reservas financeiras e adotarem medidas de conformidade e governança para atuar no setor regulamentado.
As associações também questionam a ausência, segundo elas, de estimativas sobre os impactos orçamentários e financeiros da medida provisória.
Entre os pontos citados estão possíveis efeitos sobre a arrecadação tributária, o financiamento de políticas públicas relacionadas a esporte, turismo e seguridade social e os empregos formais vinculados ao setor.
Outro argumento apresentado pelas entidades é o risco de migração de apostadores para plataformas clandestinas e não regulamentadas.
ANJL e IBJR sustentam que uma interrupção do mercado formal poderia ampliar a participação de operadores que não estão submetidos às mesmas regras de fiscalização, tributação e mecanismos de proteção aplicados às empresas autorizadas.
As entidades também afirmam que o próprio Executivo havia defendido, durante a discussão do marco regulatório do setor, a regulamentação das apostas como forma de organizar a atividade e gerar arrecadação.
O pedido protocolado nesta segunda-feira será analisado pelo Supremo Tribunal Federal. As entidades solicitam a suspensão da medida provisória e a manutenção, durante a análise do caso, das regras que anteriormente permitiam a operação das empresas autorizadas.
Na última sexta-feira (25), o governo federal anunciou a proibição das apostas de quota fixa e dos jogos online e encaminhou ao Congresso Nacional uma proposta legislativa com regras e penalidades relacionadas à exploração e divulgação dessas atividades.
A tramitação da medida no Congresso e a análise dos questionamentos apresentados ao STF devem definir os próximos passos sobre o funcionamento do setor no país.
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