

Polícia Federal avalia acionar mecanismo da Interpol para rastrear bens e movimentações financeiras de Daniel Vorcaro no exterior | reprodução/redes sociais
06 de junho de 2026 – A Polícia Federal planeja incluir o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, na lista de difusão prateada da Interpol, mecanismo usado para rastrear, identificar e bloquear bens de pessoas investigadas no exterior. O objetivo é mapear patrimônio, contas e movimentações financeiras fora do Brasil, incluindo repasses ligados ao fundo que teria financiado o filme “Dark Horse”, sobre a campanha de Jair Bolsonaro em 2018.
A difusão prateada é diferente da difusão vermelha, voltada à localização e captura de fugitivos. Nesse caso, o foco é patrimonial. A ferramenta permite a cooperação entre países para identificar ativos, transações e recursos financeiros de alvos de investigações.
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Caso seja formalmente solicitada pela Polícia Federal, a inclusão de Vorcaro na difusão prateada ainda dependerá de autorização do Supremo Tribunal Federal e de aceitação pelas autoridades internacionais envolvidas.
Brasil e Estados Unidos participam do programa piloto da Interpol que testa esse tipo de alerta. Até agora, a liquidante do Banco Master tem buscado bloquear bens ligados a Vorcaro nos Estados Unidos por meio de ações diretas na Justiça americana, e não pela via da Interpol.
A indicação de fundos, contas e bens no exterior é um dos pontos que a PF e a Procuradoria-Geral da República esperam obter em eventual acordo de delação premiada de Vorcaro, negociado desde março.
Os investigadores suspeitam que o banqueiro ainda mantenha recursos fora do território nacional que não foram totalmente mapeados. Também avaliam que parte desse dinheiro poderia ser usada para cobrir prejuízos relacionados às fraudes bilionárias atribuídas ao Banco Master.
Em uma operação que mirou o senador Ciro Nogueira, do PP do Piauí, a Polícia Federal apontou que Vorcaro contava com um operador que mantinha uma empresa nas Ilhas Virgens para pagar despesas de viagens do parlamentar pela Europa, Estados Unidos e Caribe.
Nesta semana, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, defendeu a abertura de um novo inquérito para apurar os repasses feitos por Vorcaro para o financiamento do filme “Dark Horse”. O dinheiro teria sido enviado aos Estados Unidos para um fundo em nome de um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Uma das hipóteses analisadas pela PF é que os recursos possam ter sido usados para financiar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, o que ele nega. Nesse eixo da investigação, que busca rastrear transações internacionais de Vorcaro, também deve ser solicitada posteriormente a quebra de sigilo bancário do fundo.
A Polícia Federal aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal para definir em qual processo o caso deve tramitar: no inquérito sobre fraudes do Banco Master, sob relatoria do ministro André Mendonça, ou no processo relacionado à atuação internacional de Eduardo Bolsonaro, conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes.
“Agora precisamos aguardar a decisão jurídica e dar os passos seguintes”, afirmou Andrei Rodrigues, em entrevista à GloboNews.
No fim de maio, o deputado Lindbergh Farias, do PT do Rio de Janeiro, pediu providências à Interpol e à direção da Polícia Federal para fins de cooperação penal internacional, intercâmbio de informações policiais e eventual acionamento de canais próprios relacionados ao financiamento de “Dark Horse”.
O pedido menciona a possibilidade de emissão de “Silver Notice”, “Silver Diffusion” ou instrumento equivalente da Interpol para preservação, localização e identificação de ativos, documentos e informações financeiras associados às pessoas físicas e jurídicas envolvidas, desde que preenchidos os requisitos jurídicos e operacionais.
Na prática, a difusão prateada permite que países participantes troquem informações sobre bens e movimentações financeiras de um determinado investigado. Caso autoridades estrangeiras identifiquem recursos em seus territórios, podem informar o Brasil e facilitar medidas de bloqueio ou confisco.
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