

Influenciadores digitais ganham espaço nas estratégias políticas, mas legislação impõe restrições e amplia desafios de fiscalização nas eleições | Foto: reprodução
25 de abril de 2026 – O avanço das redes sociais transformou influenciadores digitais em peças-chave na comunicação política, mas a atuação deles em campanhas eleitorais segue regras rígidas estabelecidas pela legislação brasileira. Criadores de conteúdo não podem ser contratados nem remunerados para promover candidatos, ainda que tenham grande alcance nas plataformas.
A legislação permite que influenciadores manifestem opiniões políticas, desde que o façam como cidadãos, sem vínculo com campanhas. No entanto, qualquer conteúdo com pedido explícito de voto ou caráter publicitário é considerado irregular, especialmente se houver impulsionamento ou monetização.
Segundo especialistas, o cenário atual apresenta desafios tanto para campanhas quanto para a Justiça Eleitoral. “Você pode usar o influenciador para uma causa, para promover organizações, mas não pode usar para campanha. Agora, como é que controla isso?”, questiona o especialista em marketing político Paulo Loiola.
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A dificuldade de diferenciar manifestações espontâneas de propaganda disfarçada é um dos principais obstáculos enfrentados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Quando identificada irregularidade, as punições podem incluir multas, remoção de conteúdo e até inelegibilidade em casos mais graves.
Além disso, influenciadores também podem ser responsabilizados, especialmente se disseminarem informações falsas. A especialista em Direito Eleitoral Amanda Cunha alerta para outro ponto crítico: o papel de páginas e perfis que funcionam como empresas digitais. “Uma coisa é um influenciador, pessoa física. Outra é uma página que atua como empresa. Nesse caso, há duas vedações”, explica.
A disputa eleitoral no ambiente digital se intensificou nos últimos anos, especialmente após 2018, quando campanhas passaram a investir fortemente em estratégias online. Hoje, o foco vai além do alcance e se concentra na segmentação de públicos e uso de dados.
De acordo com o cientista de dados Alek Maracajá, o diferencial está na personalização. “Não é mais pelo volume de conteúdo, mas pela qualidade e direcionamento para cada público”, afirma.
Nesse cenário, microinfluenciadores ganham relevância. Eles têm menor alcance, mas maior capacidade de engajamento em comunidades específicas, o que pode influenciar diretamente a percepção do eleitor.
Outro ponto de atenção é o uso da inteligência artificial nas campanhas. A legislação permite o uso de IA para criação de conteúdos, desde que isso seja informado ao público. No entanto, a criação de deepfakes ou manipulação de imagens e vozes é proibida.
O TSE tem intensificado ações educativas e campanhas informativas para combater a desinformação e orientar eleitores sobre o consumo crítico de conteúdos digitais.
A essência das campanhas, segundo especialistas, permanece a mesma: construir uma narrativa consistente. “O mais importante numa campanha é o posicionamento estratégico”, resume o marqueteiro Raul Cruz Lima.
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