

Presidente Lula durante reunião ministerial que discutiu as novas tarifas comerciais propostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. | Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República
03 de junho de 2026 – As tarifas propostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros poderão alcançar 37,5%, caso duas medidas anunciadas recentemente pelo governo norte-americano sejam implementadas de forma cumulativa. A avaliação é compartilhada por órgãos do governo brasileiro, incluindo o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), o Ministério da Fazenda e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
O percentual resulta da soma de duas investigações conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que apontam supostas práticas consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano.
A primeira medida foi divulgada na segunda-feira (1º) e prevê uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de que determinadas práticas adotadas pelo Brasil estariam restringindo ou onerando o comércio com os Estados Unidos.
Já a segunda investigação, concluída na terça-feira (2), concluiu que 60 economias, entre elas o Brasil, não possuem mecanismos considerados eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Como consequência, o governo americano propôs uma tarifa adicional de 12,5%.
Caso ambas sejam aplicadas simultaneamente, a carga tarifária poderá atingir 37,5%, percentual semelhante ao patamar de aproximadamente 40% observado em medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos em anos anteriores contra outros mercados.
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O tema foi discutido nesta quarta-feira (3) durante um encontro entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, durante reuniões da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na França.
Segundo informações divulgadas por interlocutores do governo, Greer sinalizou que os Estados Unidos permanecem abertos ao diálogo, enquanto Mauro Vieira defendeu a ampliação das negociações para tentar evitar a aplicação das medidas.
O governo brasileiro avalia que ainda existe espaço para negociação dentro do prazo de 30 dias estabelecido pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump durante encontro realizado recentemente em Washington.
Durante reunião ministerial realizada no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou um tom mais firme em relação às medidas anunciadas pelos Estados Unidos.
“Nós somos grandes, temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil esta semana”, afirmou o presidente.
Lula informou ainda que pretende encaminhar uma nova carta ao presidente Donald Trump para contestar as tarifas e argumentar que os Estados Unidos estariam adotando uma avaliação equivocada sobre o Brasil.
Nos bastidores da reunião ministerial, o presidente também orientou integrantes do governo a reforçarem a defesa da soberania nacional e do sistema de pagamentos instantâneos PIX, desenvolvido pelo Banco Central.
O mecanismo foi citado em críticas recentes de autoridades norte-americanas e aparece entre os temas mencionados nas discussões comerciais envolvendo os dois países.
Durante evento realizado em Catalão, Goiás, Lula exibiu um cartaz com a frase “O PIX é do Brasil”, reforçando o posicionamento do governo em defesa da ferramenta.
O presidente também indicou que o Brasil poderá ampliar relações comerciais com outros parceiros internacionais caso as negociações com os Estados Unidos não avancem.
“Se não quiser comprar da gente, vai vender para quem quiser comprar”, declarou.
Lula também confirmou que participará da reunião da Cúpula do G7, marcada para ocorrer entre os dias 15 e 17 de junho, na França, após inicialmente indicar que não compareceria ao encontro.
A questão das tarifas dominou a reunião ministerial realizada nesta semana e passou a ser tratada internamente como uma crise comercial com potenciais reflexos econômicos e políticos.
Apesar do endurecimento do discurso presidencial, integrantes do governo avaliam que a manutenção dos canais diplomáticos representa um sinal positivo para a continuidade das negociações.
A estratégia brasileira é tentar discutir separadamente cada uma das medidas tarifárias, buscando reverter parcial ou totalmente as propostas anunciadas pelos Estados Unidos.
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