

Déficit comercial dos Estados Unidos avança em maio mesmo com tarifas sobre produtos importados | Foto: Brendan Smialowski/AFP
07 de julho de 2026 – O déficit comercial dos Estados Unidos aumentou de forma expressiva em maio, mesmo em meio à política de tarifas adotada pelo governo de Donald Trump para tentar reduzir a dependência externa e estimular a produção doméstica.
Segundo dados divulgados pelo governo americano nesta terça-feira (7), o saldo negativo da balança comercial chegou a US$ 77,6 bilhões, cerca de R$ 400 bilhões, após alta das importações e queda das exportações.
O déficit comercial ocorre quando um país compra mais produtos e serviços do exterior do que vende para outros mercados. No caso dos Estados Unidos, o resultado de maio mostra que as empresas americanas seguiram ampliando compras externas, especialmente de tecnologia, petróleo e insumos industriais.
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O déficit comercial dos EUA saltou 42,2% em relação a abril.
As importações avançaram 3,3%, chegando a US$ 395,3 bilhões, aproximadamente R$ 2,04 trilhões.
Já as exportações recuaram 3,2%, para US$ 317,7 bilhões, cerca de R$ 1,64 trilhão.
Entre os produtos que mais contribuíram para o aumento das importações estão bens de consumo, petróleo bruto, insumos industriais, automóveis, peças e equipamentos de informática, segundo o Departamento de Comércio dos Estados Unidos.
O avanço dos investimentos em inteligência artificial também ajudou a pressionar as importações.
Empresas americanas ampliaram compras externas de equipamentos e insumos utilizados na construção de centros de dados, setor em expansão no país.
A demanda por componentes tecnológicos, energia e infraestrutura industrial mostra que parte das importações está ligada a investimentos considerados estratégicos para a economia americana.
Ao mesmo tempo, o cenário internacional, marcado por tensões geopolíticas e impactos da guerra no Oriente Médio, também alterou fluxos comerciais e aumentou a procura por determinados produtos.
Do lado das exportações, os Estados Unidos registraram queda no volume vendido ao exterior.
Apesar do aumento nas vendas externas de petróleo bruto e derivados após os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã no fim de fevereiro, outros produtos tiveram desempenho negativo.
Entre os itens com recuo nas exportações estão medicamentos e outros bens industriais.
A redução das vendas externas ampliou o desequilíbrio da balança comercial e reforçou a dificuldade do governo americano em reduzir o déficit apenas com medidas tarifárias.
O aumento do déficit ocorre em meio ao chamado tarifaço do governo Trump.
A política busca encarecer produtos importados, incentivar a produção dentro dos Estados Unidos e diminuir a dependência de fornecedores estrangeiros.
Apesar disso, os dados de maio indicam que o efeito esperado ainda não apareceu de forma consistente.
Empresas americanas continuaram comprando no exterior itens considerados essenciais, como equipamentos de tecnologia, petróleo, componentes industriais, automóveis e autopeças.
Especialistas avaliam que parte das companhias pode ter antecipado importações para evitar eventuais aumentos de tarifas no futuro.
Essa estratégia costuma ocorrer quando há incerteza sobre novas medidas comerciais ou possibilidade de elevação de custos nos meses seguintes.
Além disso, medidas de retaliação adotadas por outros países podem pressionar as exportações americanas, dificultando a redução do déficit.
A tarifa global mínima atualmente em vigor é de 10% sobre a maioria dos produtos importados, embora alguns setores estejam sujeitos a taxas adicionais, como aço, alumínio, automóveis e autopeças.
O governo americano também prevê novas tarifas para diversos países, incluindo o Brasil, no contexto de investigações comerciais abertas com base na Seção 301.
As audiências desta semana com o representante comercial americano terão participação de empresas e entidades setoriais.
O governo brasileiro, por sua vez, optou por não participar das audiências e mantém foco nas negociações bilaterais com os Estados Unidos.
A política tarifária americana passou por mudanças após a Suprema Corte derrubar, em fevereiro, as tarifas globais de dois dígitos impostas por Trump no ano anterior.
Como medida temporária, a administração americana adotou uma alíquota geral de 10% para parceiros comerciais. A regra, porém, tem validade limitada e deve expirar ainda neste mês.
O resultado de maio reforça os desafios da política comercial americana.
Mesmo com tarifas, empresas seguem dependentes de fornecedores estrangeiros para manter cadeias produtivas, abastecer setores industriais e sustentar investimentos em tecnologia.
O aumento do déficit também mostra que a recomposição da produção doméstica pode exigir mais tempo do que o previsto.
Em abril, o saldo negativo da balança comercial americana havia recuado na comparação com março, favorecido pelo aumento das exportações de petróleo e derivados, que atingiram o maior volume mensal registrado.
Com a reversão em maio, o governo americano volta a enfrentar pressão para explicar os efeitos reais da política tarifária sobre comércio exterior, inflação, indústria e relações com parceiros internacionais.
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