

Pesquisadores brasileiros desenvolvem tecnologia capaz de reproduzir sabor, aroma e textura da gordura animal em alimentos de origem vegetal. | Foto: divulgação
16 de junho de 2026 – A ciência brasileira deu mais um passo importante no desenvolvimento de alimentos sustentáveis. Um projeto financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e com recursos gerenciados pela Fundação FASTEF está desenvolvendo uma tecnologia capaz de reproduzir a experiência sensorial da gordura animal em produtos de origem vegetal.
Coordenada pela pesquisadora Sueli Rodrigues, a iniciativa busca criar lipídios estruturados bioidênticos que imitam sabor, aroma, textura e comportamento térmico da gordura animal, ampliando a qualidade sensorial de hambúrgueres, embutidos e outros alimentos plant-based.
O objetivo é aproximar cada vez mais os produtos vegetais da experiência tradicional proporcionada pela carne, sem a necessidade de criação ou abate de animais.
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O projeto utiliza ferramentas avançadas de engenharia enzimática, bioinformática e biologia sintética para desenvolver moléculas capazes de reproduzir não apenas a aparência da gordura animal, mas também sua estrutura molecular.
Atualmente, a maior parte dos alimentos plant-based disponíveis no mercado utiliza combinações de óleos vegetais, como coco, palma e girassol, associados a espessantes e estabilizantes para simular textura e suculência.
Apesar dos avanços, esses ingredientes ainda apresentam limitações relacionadas ao aroma, à cremosidade, ao ponto de fusão e à sensação percebida durante a mastigação.
O principal diferencial da iniciativa brasileira é o conceito denominado “mimetismo por identidade”.
A estratégia busca reproduzir o mesmo perfil molecular encontrado naturalmente na gordura animal por meio da reorganização de ácidos graxos utilizando modelagem computacional de enzimas e ferramentas de bioinformática.
Segundo a coordenadora do projeto, a gordura desempenha papel fundamental na experiência sensorial dos alimentos.
“A gordura é um dos principais elementos responsáveis pela experiência sensorial da carne, porque retém e libera compostos aromáticos durante o preparo e a mastigação. Nosso objetivo é desenvolver moléculas bioidênticas que consigam reproduzir essa experiência de forma muito mais fiel nos alimentos plant-based”, explica Sueli Rodrigues.
O estudo está alinhado ao crescimento internacional da chamada foodtech de precisão, setor que utiliza biotecnologia para desenvolver ingredientes e alimentos mais sustentáveis.
Nos últimos anos, o mercado global já apresentou produtos produzidos por fermentação de precisão e biologia sintética, incluindo queijos elaborados com proteínas bioidênticas às do leite e carnes vegetais capazes de reproduzir aroma, textura e coloração semelhantes às da carne convencional.
A expectativa é que novas tecnologias ampliem a aceitação dos alimentos de origem vegetal entre consumidores que buscam alternativas sustentáveis sem abrir mão da experiência gastronômica.
Além da melhoria sensorial dos produtos plant-based, a tecnologia poderá contribuir para a redução de impactos ambientais associados à produção de proteína animal.
Entre os potenciais benefícios apontados pelos pesquisadores estão a redução das emissões de carbono, o menor consumo de água e de áreas produtivas, além da diminuição do desmatamento relacionado à expansão da pecuária.
A iniciativa também pode valorizar matérias-primas vegetais produzidas no Brasil, fortalecendo a bioeconomia nacional.
O financiamento da FINEP permitiu a aquisição de equipamentos especializados, insumos para pesquisas em biologia molecular e a formação de equipes compostas por mestres, doutores e pós-doutores.
Para o presidente da FASTEF, Perucio, o projeto demonstra a capacidade da ciência nacional de desenvolver soluções inovadoras com potencial de impacto global.
“A FASTEF tem orgulho de contribuir para projetos que unem pesquisa de ponta, sustentabilidade e inovação tecnológica. Estamos falando de uma iniciativa estratégica, capaz de posicionar o Brasil em uma área altamente competitiva e relevante para o futuro da alimentação”, afirma.
Com o avanço da pesquisa, o Brasil passa a integrar de forma ainda mais ativa a corrida internacional por tecnologias voltadas à alimentação sustentável e à produção de alimentos de alto valor agregado.
A Fundação FASTEF é uma das fundações de apoio institucional à Universidade Federal do Ceará (UFC). Trata-se de uma entidade privada sem fins lucrativos voltada ao desenvolvimento científico e tecnológico.
Desde sua criação, a fundação já realizou a gestão de mais de 500 projetos, atuando em parceria com universidades, pesquisadores, empresas e instituições públicas e privadas.
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