

Especialistas apontam que jogadores diagnosticados com ludopatia podem buscar reparação judicial em casos de falhas das plataformas de apostas na adoção de medidas de proteção. | Foto: divulgação
16 de junho de 2026 – O crescimento das apostas esportivas e dos cassinos online no Brasil tem ampliado os debates sobre a responsabilidade das plataformas digitais diante de casos de ludopatia, transtorno caracterizado pela incapacidade de controlar o impulso de jogar. Segundo especialistas, pessoas que sofreram prejuízos financeiros em decorrência do vício podem, em determinadas situações, buscar reparação na Justiça.
O tema ganhou destaque após uma decisão da Justiça de Santa Catarina determinar a devolução de mais de R$ 217 mil perdidos por uma apostadora diagnosticada com comportamento compulsivo, além do pagamento de indenização por danos morais.
De acordo com o advogado Dr. Luan Vieira, representante do Escritório Mylena Leite Advocacia, a legislação brasileira estabelece obrigações para as empresas do setor de apostas, especialmente relacionadas à proteção dos consumidores.
“A legislação brasileira impõe às plataformas o dever de adotar mecanismos de jogo responsável, como ferramentas de autoexclusão, definição de limites financeiros e monitoramento de comportamentos compulsivos. Quando essas medidas não são observadas, a empresa pode ser responsabilizada pelos prejuízos causados ao consumidor”, explica.
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A decisão judicial catarinense é considerada um marco importante nas discussões envolvendo a responsabilidade civil das empresas de apostas online.
Segundo Dr. Luan Vieira, o entendimento da Justiça não significa que toda perda financeira decorrente de apostas gere automaticamente direito à restituição dos valores investidos.
“Nem toda perda financeira decorrente de apostas gera automaticamente direito à restituição. O que a Justiça analisa é se havia uma condição de vulnerabilidade do jogador e se a empresa cumpriu efetivamente os deveres legais de prevenção previstos na regulamentação do setor”, afirma.
A análise leva em consideração fatores como o histórico do apostador, a existência de diagnóstico médico e a adoção — ou não — de medidas preventivas por parte da plataforma.
A ludopatia é reconhecida como um transtorno capaz de comprometer significativamente a capacidade de tomada de decisão do indivíduo.
Segundo o especialista, os impactos podem atingir não apenas a saúde mental, mas também a estabilidade financeira e familiar dos pacientes.
“A ludopatia é uma condição clínica séria, capaz de comprometer a capacidade de decisão do indivíduo. Muitos pacientes acumulam dívidas, comprometem o patrimônio familiar e desenvolvem outros problemas psicológicos em razão da dependência. Por isso, a análise jurídica também leva em consideração o dever de proteção ao consumidor vulnerável”, destaca Dr. Luan Vieira.
Para quem pretende avaliar a possibilidade de ingressar com uma ação judicial, a documentação do caso é considerada essencial.
Laudos médicos, histórico financeiro, registros de apostas, comprovantes de movimentações bancárias e outros documentos que demonstrem o comportamento compulsivo podem servir como provas importantes em eventual processo.
“O primeiro passo é buscar acompanhamento médico e orientação jurídica especializada. Cada caso possui características próprias, e somente uma análise individualizada permite verificar a existência dos requisitos necessários para um eventual pedido de reparação”, orienta o advogado.
Com a regulamentação das apostas online no Brasil, especialistas acreditam que a discussão sobre responsabilidade civil, proteção ao consumidor e prevenção à dependência em jogos deve ganhar cada vez mais espaço no Judiciário.
“O debate vai muito além das apostas em si. Trata-se da necessidade de equilibrar liberdade econômica com responsabilidade social e proteção às pessoas em situação de vulnerabilidade”, conclui Dr. Luan Vieira.
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