

Navios comerciais aguardam liberação para atravessar o Estreito de Ormuz após o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã. | Foto: REUTERS/Stringer
23 de junho de 2026 – A Organização Marítima Internacional (OMI), agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU), anunciou nesta terça-feira (23) uma operação de grande escala para auxiliar a retirada de mais de 11 mil marinheiros que permaneceram retidos no Golfo Pérsico durante a guerra entre Estados Unidos e Irã.
A iniciativa tem como objetivo garantir a passagem segura de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e mercadorias.
Segundo a OMI, a operação foi viabilizada após a assinatura de um acordo provisório de paz entre Washington e Teerã, encerrando mais de três meses de confrontos na região.
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De acordo com o secretário-geral da OMI, Arsenio Dominguez, a ação será conduzida em parceria com países da região e representantes da indústria marítima internacional.
“Esta operação de grande escala será realizada em estreita cooperação com o Irã, Omã, todos os demais Estados costeiros da região, os Estados Unidos e a indústria marítima. Garantimos as condições de segurança necessárias e verificamos minuciosamente as condições para uma navegação segura a fim de apoiar essas operações”, afirmou Dominguez em comunicado.
A agência informou que a medida é excepcional devido ao elevado número de embarcações que permaneceram paradas durante o conflito, tornando inviável a retomada do fluxo apenas pelos procedimentos tradicionais de controle de tráfego marítimo.
Dominguez destacou ainda que a iniciativa ocorre após meses de dificuldades enfrentadas por milhares de trabalhadores do setor naval.
Mesmo após o acordo de paz, o trânsito marítimo pelo Estreito de Ormuz continua sendo retomado de forma gradual.
Nesta terça-feira (23), autoridades iranianas informaram que apenas uma quantidade limitada de embarcações poderá atravessar diariamente a passagem marítima. O número autorizado variará conforme as condições de segurança da região.
A informação foi divulgada pela agência estatal iraniana Tasnim, que citou uma autoridade militar do país.
O anúncio acrescenta novos desafios à normalização da navegação, já que o acordo firmado entre Estados Unidos e Irã não previa restrições específicas ao fluxo de embarcações.
O futuro da administração do Estreito de Ormuz continua sendo tema de divergências entre Washington e Teerã.
Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou recentemente que a rota marítima estava “totalmente aberta”, autoridades iranianas mantêm a possibilidade de novas restrições diante de tensões envolvendo Israel e grupos aliados do Irã no Oriente Médio.
Dados de monitoramento marítimo apontaram que a segunda-feira registrou o maior fluxo de embarcações desde o início da guerra. Pelo menos 35 navios comerciais cruzaram o estreito.
Trump também afirmou que cerca de 19 milhões de barris de petróleo passaram pela região no mesmo dia, classificando o volume como um “recorde histórico”.
Em outra frente de negociação, Irã e Omã anunciaram que vão estudar um modelo de administração conjunta do Estreito de Ormuz.
Os dois países também sinalizaram a possibilidade de cobrança de taxas relacionadas aos serviços prestados na navegação da região, reforçando suas reivindicações de soberania sobre a estratégica via marítima.
O Estreito de Ormuz é considerado uma das passagens mais importantes do comércio global, concentrando uma parcela significativa do transporte mundial de petróleo e gás natural.
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