

Pesquisa mostra que a inteligência artificial já influencia as decisões de compra de mais de um terço dos brasileiros e redefine estratégias de empresas. | Foto: divulgação
11 de agosto de 2026 – A inteligência artificial (IA) está cada vez mais presente na rotina dos brasileiros e vem mudando a forma como consumidores pesquisam, comparam e escolhem produtos e serviços. Levantamento divulgado em 2026 revela que 37% dos brasileiros já realizaram pelo menos uma compra influenciada por ferramentas de IA. Entre os adultos da geração Z, o índice chega a 46%.
O avanço da tecnologia também está transformando a maneira como empresas desenvolvem estratégias de marketing, vendas e relacionamento com os clientes.
Segundo Paula Hernandez, estrategista de posicionamento, marketing e vendas, o uso da inteligência artificial não substitui a necessidade de planejamento.
“A IA não elimina a necessidade de estratégia. Quanto mais ferramentas estiverem disponíveis, mais importante será saber qual utilizar, para qual objetivo e, principalmente, o que fazer com aquilo que ela entrega.”
Com o crescimento das plataformas baseadas em inteligência artificial, empresas passaram a contar com soluções específicas para pesquisa de mercado, produção de conteúdo, análise de dados, atendimento ao cliente, prospecção e vendas.
Para Paula Hernandez, no entanto, o simples acesso à tecnologia não garante melhores resultados.
“Não acredito em simplesmente delegar o marketing para uma inteligência artificial. Existem IAs e aplicativos excelentes para objetivos específicos, mas alguém precisa enxergar o negócio em várias camadas e conectar posicionamento, marketing e vendas.”
Nesse contexto, o profissional assume um papel mais estratégico, responsável por interpretar informações, validar dados e transformar os resultados apresentados pelas ferramentas em decisões alinhadas aos objetivos do negócio.
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A especialista destaca que a popularização da IA cria um cenário curioso: quanto maior a automação dos processos, maior tende a ser o valor percebido em produtos, serviços e experiências que demonstram personalização e atenção aos detalhes.
“Eu acredito em um processo artesanal premium. Isso não significa rejeitar a tecnologia. Significa utilizá-la para ampliar nossa capacidade sem terceirizar para ela o pensamento estratégico.”
Ela ressalta ainda que as respostas produzidas por inteligência artificial devem ser analisadas criticamente antes de serem utilizadas.
“Ferramentas estarão disponíveis para todos. O diferencial estará em quem souber utilizá-las com estratégia, senso crítico e intenção.”
A pesquisa também reforça uma mudança no comportamento do consumidor. Antes mesmo de entrar em contato com uma empresa, muitas pessoas já consultam avaliações, pesquisam concorrentes, consomem conteúdos e recorrem à inteligência artificial para esclarecer dúvidas e formar opinião sobre uma marca.
Para Paula Hernandez, isso torna ainda mais importante a integração entre posicionamento, marketing e área comercial.
“Eu vejo o negócio em camadas. O posicionamento constrói percepção. O marketing comunica valor. E o comercial transforma essa percepção em oportunidade de negócio. Quando essas camadas estão desconectadas, a empresa pode ter um excelente produto e ainda assim perder vendas.”
Mesmo com o avanço acelerado da tecnologia, especialistas avaliam que competências como criatividade, visão estratégica, senso crítico, interpretação de contexto e capacidade de tomada de decisão seguirão sendo determinantes para empresas e profissionais.
Para Paula Hernandez, o futuro não será definido pela substituição das pessoas pela inteligência artificial, mas pela combinação entre tecnologia e inteligência humana.
“A tecnologia pode acelerar processos, mas velocidade sem direção não é estratégia. Não será necessariamente quem usar mais IA que irá se destacar. Será quem souber orquestrar tecnologia, estratégia e inteligência humana para construir posicionamento, gerar valor e transformar isso em resultado comercial.”
Em um mercado cada vez mais automatizado, a compreensão humana e a capacidade estratégica permanecem como fatores essenciais para a competitividade.
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