

Hábito de roer as unhas pode causar ferimentos, infecções graves e exigir atendimento médico em casos de complicação | Foto: divulgação
11 de agosto de 2026 – O hábito de levar os dedos à boca para roer as unhas é comum no cotidiano e, muitas vezes, começa ainda na infância. Apesar de ser visto por muitas pessoas como uma simples mania ou vício estético, o comportamento pode esconder riscos importantes para a saúde.
A prática é chamada de onicofagia e pode servir como porta de entrada para infecções graves, especialmente quando a pele ao redor das unhas é ferida de forma repetida.
Em casos mais severos e negligenciados, o problema pode exigir cirurgia e até evoluir para risco de perda definitiva de um dedo.
De acordo com um estudo publicado na revista científica National Library of Medicine, entre 20% e 30% da população mundial tem o hábito de roer as unhas, abrangendo diferentes faixas etárias.
Os dados indicam que a prática está entre as respostas comportamentais mais frequentes diante de estímulos externos, como tensão, ansiedade ou estresse.
No entanto, a alta prevalência não reduz os riscos biológicos provocados pelo contato frequente entre boca, unhas e pele lesionada.
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Para Cláudia Velasco, diretora médica da Clínica SiM, o perigo está na combinação entre contaminação e ferimentos.
“A boca é uma das regiões mais contaminadas do corpo e, ao ferir a pele ao redor da unha, criamos uma porta de entrada direta para bactérias agressivas na corrente sanguínea”, afirma a médica.
O risco aumenta quando a pessoa remove pedaços de pele ou cutícula com os dentes, criando microlesões que podem inflamar rapidamente.
O processo de contaminação pode acontecer de forma cíclica.
A sujeira acumulada sob as unhas, formada por resíduos ambientais, fungos e bactérias, é levada diretamente para a mucosa bucal.
Ao mesmo tempo, a saliva, que contém enzimas e microrganismos próprios, entra em contato com pequenas feridas causadas pelos dentes na região das cutículas.
Esse ambiente úmido e lesionado favorece o surgimento de paroníquias, infecções que provocam inflamação intensa, dor e acúmulo de pus ao redor das unhas.
A gravidade do problema foi ilustrada pelo caso da jovem Gabby Swierzewski, de 21 anos.
A norte-americana quase perdeu o dedo após uma infecção causada pelo hábito de roer as unhas evoluir rapidamente.
O quadro exigiu uma cirurgia de emergência para remoção do tecido infectado e para impedir que a bactéria atingisse o osso ou se espalhasse pela mão, o que poderia levar à amputação.
Alguns sinais indicam que uma infecção pode estar em curso e não devem ser ignorados.
Entre os principais alertas estão vermelhidão, inchaço, calor e sensibilidade na pele ao redor da unha.
A presença de pus, especialmente com secreção amarelada ou esverdeada, também exige atenção.
Outro sintoma importante é a sensação de latejamento constante e doloroso no dedo.
Quando há febre e calafrios, existe a possibilidade de que a infecção esteja deixando de ser local e se tornando sistêmica, situação que exige atendimento médico imediato.
Antes de ser apenas um problema dermatológico, a onicofagia também pode estar associada a fatores emocionais.
Segundo especialistas, o hábito costuma funcionar como uma resposta automática a estados de ansiedade, estresse, insegurança ou tensão.
Para a psicóloga da Clínica SiM Mirella Martins Lippi, o acompanhamento especializado é importante para identificar os gatilhos do comportamento.
“Procurar um psicólogo ou psiquiatra é fundamental para entender os gatilhos que levam ao comportamento e tratar a causa primária, evitando que a intervenção seja apenas física”, alerta Mirella Martins Lippi.
Cláudia Velasco reforça que o sucesso no tratamento depende de uma abordagem combinada.
Além de cuidar da infecção e proteger a pele, é necessário atuar sobre os fatores emocionais que mantêm o hábito.
“O tratamento médico resolve a infecção e protege a integridade da pele, mas se não houver o suporte especializado para controlar a ansiedade, o paciente voltará a ferir o próprio corpo em um ciclo de reinfecções”, pontua Cláudia Velasco.
Romper com a onicofagia exige estratégia, paciência e persistência.
Entre as medidas práticas recomendadas estão manter as unhas curtas, usar esmaltes com sabor amargo e substituir o estímulo de levar a mão à boca por objetos como bolinhas antiestresse ou fidget spinners.
Em momentos de maior ansiedade, barreiras físicas, como curativos nos dedos, também podem ajudar a impedir o contato direto com os dentes.
Segundo Mirella Martins Lippi, a mudança de hábito exige ferramentas que ajudem a quebrar o reflexo automático de levar a mão à boca nos momentos de tensão.
A Clínica SiM, integrante do Grupo SiMco, é uma rede de clínicas de saúde acessíveis com presença nos estados da Bahia, Ceará e Pernambuco.
Com mais de 230 mil beneficiários ativos, a empresa atua com foco na democratização da saúde, combinando expansão estratégica, inovação e inclusão para ampliar o acesso a serviços médicos de qualidade.
Tema: riscos de roer as unhas
Nome técnico: onicofagia
Principais riscos: infecções, inflamações, paroníquia, cirurgia e, em casos graves, risco de amputação
Sinais de alerta: vermelhidão, inchaço, pus, latejamento, febre e calafrios
Especialistas citadas: Cláudia Velasco, diretora médica da Clínica SiM; Mirella Martins Lippi, psicóloga da Clínica SiM
Instituição: Clínica SiM
Site: www.clinicasim.com
Telefone: 0800 357 6060
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