

A Coca-Cola solicitou que o suco de laranja brasileiro continue isento das novas tarifas e pediu a inclusão do limão e de seus derivados na lista de exceções. | Foto: Justin Sullivan/Getty Images North America/AFP
07 de julho de 2026 – Grandes empresas dos Estados Unidos solicitaram ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que produtos importados do Brasil sejam excluídos das novas tarifas propostas no âmbito da investigação da Seção 301. Entre as companhias que encaminharam pedidos formais estão Tesla, Coca-Cola, Nestlé e eBay.
As manifestações foram enviadas em 1º de julho e argumentam que a adoção de novas barreiras comerciais poderá afetar a competitividade das empresas, comprometer cadeias de suprimentos e resultar em aumento de preços para os consumidores norte-americanos.
Nesta segunda-feira (6), tiveram início as audiências públicas sobre o pacote tarifário proposto pelo governo dos Estados Unidos para produtos brasileiros.
Além da tarifa de 12,5% já prevista, o USTR estuda aplicar uma taxa adicional de 25% sob a justificativa de que determinadas práticas do governo brasileiro “oneram ou restringem” o comércio com os Estados Unidos.
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A mobilização das multinacionais ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
Apesar do cenário político, as empresas defendem que restringir a entrada de produtos brasileiros prejudicará diretamente a indústria norte-americana, que depende de diversos insumos importados do Brasil.
A Tesla solicitou que matérias-primas e insumos industriais provenientes do Brasil sejam excluídos das tarifas.
Segundo a fabricante de veículos elétricos e sistemas de energia, a empresa vem investindo bilhões de dólares para ampliar sua cadeia de fornecedores nas Américas, mas afirma que determinados insumos essenciais para veículos elétricos, robótica e baterias ainda não podem ser produzidos nos Estados Unidos em escala suficiente.
A companhia argumenta que a aplicação imediata de tarifas poderá afetar trabalhadores, fabricantes e consumidores americanos.
A Nestlé pediu ao USTR a ampliação da lista de produtos isentos, incluindo o café instantâneo não aromatizado e o colágeno bovino importados do Brasil.
Segundo a empresa, o café não pode ser cultivado em escala comercial no território continental dos Estados Unidos, enquanto o Brasil é o principal exportador mundial de colágeno bovino, matéria-prima utilizada em diversos produtos alimentícios, farmacêuticos e de bem-estar.
A companhia também informou que 96,7% de sua cadeia global de commodities primárias já foi considerada livre de desmatamento até o fim de 2025.
A Coca-Cola solicitou que o suco de laranja brasileiro continue isento das novas tarifas e pediu a inclusão do limão e de seus derivados na lista de exceções ou, alternativamente, um período de transição.
A empresa destacou que a produção de laranjas na Flórida caiu de aproximadamente 242 milhões de caixas na safra 2003/2004 para uma estimativa de apenas 12 milhões de caixas em 2025/2026, em razão de doenças, mudanças climáticas e pragas.
Segundo a companhia, o Brasil tornou-se um fornecedor essencial para garantir o abastecimento do mercado americano de sucos cítricos.
A plataforma de comércio eletrônico eBay propôs que produtos usados, seminovos e de segunda mão sejam totalmente isentos das novas tarifas.
A empresa argumenta que esses produtos já cumpriram seu ciclo comercial e que a cobrança de tarifas afetaria principalmente pequenos vendedores e consumidores de menor renda.
O eBay também afirma que identificar com precisão a origem de mercadorias usadas seria operacionalmente complexo e elevaria os custos de fiscalização nas alfândegas dos Estados Unidos.
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