

Pesquisa aponta que o Pix contribui para o avanço do empreendedorismo e do trabalho por conta própria no Brasil | Foto: reprodução
17 de agosto de 2026 – Uma análise econométrica com base em dados do sistema de pagamentos e do mercado de trabalho brasileiro indica que o Pix tem contribuído para a expansão do empreendedorismo no país nos últimos anos.
O estudo aponta que a infraestrutura de pagamentos mais acessível, rápida e digital pode favorecer o trabalho por conta própria e o desenvolvimento de pequenos empreendimentos.
A pesquisa considera o Pix em conjunto com aprimoramentos mais amplos no sistema de pagamentos brasileiro.
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Segundo os pesquisadores responsáveis pelo estudo, os resultados indicam que o desenho do sistema de pagamentos pode ter impacto direto na atividade econômica.
“Os resultados destacam a relevância do desenho do sistema de pagamentos como instrumento de política econômica, especialmente em economias emergentes, nas quais a digitalização pode ampliar oportunidades de trabalho por conta própria e de empreendimento em pequena escala”, afirmam os autores.
O trabalho foi conduzido por Claudio de Moraes, professor de macroeconomia e finanças do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (Coppead), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Moraes também atua no Banco Central, na área de estabilidade financeira.
O estudo também tem autoria de Aristides Andrade Cavalcante Neto, chefe do Departamento de Gestão Estratégica e Supervisão Especializada (Degef) do Banco Central.
A pesquisa avaliou a relação entre dados do sistema de pagamentos e uma variável usada pelos autores como aproximação do empreendedorismo.
Essa medida considera a razão entre o número de trabalhadores por conta própria e a população na força de trabalho.
As séries foram extraídas do Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) e têm como base informações da Pnad Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Foram analisados dados mensais de março de 2012 a agosto de 2025.
O modelo usado pelos pesquisadores inclui uma variável que marca o período de operação do Pix, a partir de 2020, além do volume de transações mensais realizadas com o instrumento.
A análise também incorpora o hiato do produto, a taxa básica de juros e o número total de transações no sistema de pagamentos como variáveis de controle.
O objetivo foi observar se o Pix teve impacto próprio sobre o empreendedorismo, mesmo considerando outros fatores econômicos relevantes.
De acordo com os autores, os resultados apontam efeito positivo e estatisticamente significativo do Pix sobre o empreendedorismo.
“Os resultados indicam que o Pix tem efeito positivo e estatisticamente significativo sobre o empreendedorismo. Em todas as especificações, o coeficiente da variável Pix é positivo e altamente significativo, confirmando a hipótese de que o Pix exerce impacto econômico ao aumentar o número de trabalhadores por conta própria, nossa proxy de empreendedorismo”, afirmam os pesquisadores.
Os autores destacam que o efeito positivo do Pix se mantém mesmo em modelos que controlam o ciclo econômico, a política monetária e a atividade geral do sistema de pagamentos.
“Como esperado, um hiato do produto positivo está associado a maior atividade empreendedora, enquanto aumentos na taxa de juros de política tendem a reduzi-la. O coeficiente positivo do total de transações de pagamentos sugere ainda que uma infraestrutura de pagamentos mais ativa sustenta condições para o empreendedorismo”, acrescentam.
A pesquisa reforça a importância de sistemas de pagamento digitais para pequenos negócios, trabalhadores autônomos e empreendedores de menor escala.
Com transações instantâneas, menor dependência de dinheiro em espécie e maior facilidade de recebimento, o Pix pode reduzir barreiras de entrada para quem trabalha por conta própria.
O sistema também amplia a capacidade de pequenos empreendedores realizarem vendas, receberem pagamentos e organizarem fluxos financeiros de forma mais ágil.
Os pesquisadores ponderam que a análise tem limitações.
Uma delas é o período relativamente curto desde o lançamento do Pix, em 2020.
Segundo os autores, estudos futuros poderão examinar efeitos diferentes entre regiões e grupos demográficos.
Também poderão ser avaliadas outras variáveis, como a interação entre Pix e inovações financeiras mais recentes, incluindo o Open Finance.
Mesmo com limitações, os pesquisadores afirmam que as evidências apresentadas oferecem uma indicação inicial importante.
Sistemas de pagamento instantâneo podem funcionar como catalisadores de mudança estrutural.
Isso significa que essas ferramentas influenciam não apenas a forma como as pessoas realizam transações, mas também como participam da atividade econômica.
O resultado da pesquisa vai compor um capítulo da segunda edição do livro “Disruptive Technology in Banking and Finance: An International Perspective on FinTech”.
A obra é organizada pelo professor Timothy King, da University of Vaasa, na Finlândia.
A publicação está prevista para dezembro.
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