

Resultados do Saeb 2025 indicam recuperação dos níveis pré-pandemia, mas matemática no ensino médio ainda preocupa especialistas | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
07 de agosto de 2026 – Os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2025, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), mostram que o Brasil recuperou, em média, os níveis observados antes da pandemia, mas ainda enfrenta desafios importantes na aprendizagem.
Apesar da melhora consistente nos indicadores de proficiência em língua portuguesa e matemática em todas as etapas de ensino, a aprendizagem segue como o principal desafio da educação básica brasileira.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano, a nota padronizada do Saeb 2025 aumentou de 5,9 para 6,2 entre 2023 e 2025, o avanço mais expressivo entre as três etapas avaliadas.
Nas escolas públicas, a proficiência média dos estudantes dos anos iniciais superou os patamares pré-pandêmicos de 2019 em língua portuguesa e matemática, atingindo nível adequado de aprendizagem.
No 5º ano do ensino fundamental, a pontuação em português passou de 207,6, em 2023, para 215,1, em 2025. Em matemática, subiu de 218,3 para 227,4.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
Nos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, a nota padronizada subiu de 5,1 para 5,2 entre 2023 e 2025.
Apesar da melhora, a média permanece no nível básico nas duas disciplinas.
No 9º ano, a média em língua portuguesa passou de 252,9 para 256,6. Em matemática, subiu de 249,9 para 255,3.
No ensino médio, a nota padronizada também cresceu 0,1 ponto no último biênio e superou o resultado de 2019, de 4,4.
Mesmo assim, o desempenho em matemática ainda está abaixo do nível básico.
No 3º ano do ensino médio, o resultado em língua portuguesa passou de 269,1 para 272,3. Em matemática, foi de 263,9 para 268,0.
O maior gargalo observado pelos especialistas é justamente a aprendizagem de matemática no ensino médio, que ainda não voltou aos níveis anteriores à crise provocada pela pandemia de covid-19.
A coordenadora de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, Natália Fregonesi, explica que muitos estudantes chegam ao ensino médio com defasagens acumuladas das etapas anteriores.
“Por isso, é urgente priorizar a aprendizagem, desde o início do ensino fundamental”, afirma Natália Fregonesi.
Para ela, os resultados apontam uma recuperação importante, mas ainda insuficiente para mudar o nível de aprendizagem da etapa como um todo.
“Essa melhora foi insuficiente para mudar o nível de aprendizagem da etapa como um todo”, avalia.
A especialista defende que o país coloque a aprendizagem no centro das políticas públicas para acelerar os avanços, especialmente nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.
Especialistas em educação avaliam que o Brasil precisa aumentar o ritmo de avanços, sobretudo em matemática.
O vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, Felipe Proto, afirma que os resultados nessa área exigem esforços coordenados e sustentados.
“Avançar nessa área exige prioridade na agenda educacional, continuidade e uma estratégia consistente de implementação das políticas públicas já anunciadas, como o Compromisso Nacional Toda Matemática”, destaca Felipe Proto.
Natália Fregonesi também aponta a necessidade de políticas públicas voltadas ao apoio direto às escolas e aos professores.
“É preciso garantir formação e apoio aos professores, acompanhamento pedagógico das escolas, estratégias de recuperação das aprendizagens, de recomposição das aprendizagens para os estudantes que não estão conseguindo desenvolver as habilidades no tempo esperado”, lista a coordenadora do Todos Pela Educação.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que a dificuldade em matemática não é um desafio exclusivo do Brasil.
Segundo ele, vários países de economias avançadas também têm registrado queda na proficiência nessa área.
O ministro destacou que o Brasil está atento à formação inicial e continuada de professores e citou a Prova Nacional Docente (PND) 2025 como instrumento importante para apoiar as redes de ensino.
“Precisamos que as redes utilizem a Prova Nacional Docente para que esses bons professores, que foram muito bem na avaliação educacional, de fato, cheguem às redes. E melhorar a formação continuada dos professores é uma obsessão do Ministério da Educação para que possamos elevar a proficiência em matemática”, afirmou Leonardo Barchini.
Na média, o país recuperou em 2025 os níveis observados em 2019, antes da pandemia.
Leonardo Barchini destacou que organismos internacionais projetavam que o Brasil demoraria de 10 a 13 anos para voltar aos patamares pré-pandemia, mas que a recuperação ocorreu em dois ciclos.
“Os resultados do Ideb mostram que o país conseguiu em apenas dois ciclos, ou seja, em quatro anos, voltar àquela situação pré-pandemia. Então, a recuperação do Brasil, ao contrário de muitos países do mundo, foi mais rápida, o que mostra a resiliência da rede da educação pública brasileira na educação básica”, salientou o ministro.
O Todos Pela Educação, no entanto, alerta que o ponto de partida antes da pandemia já era baixo, e que o ritmo de melhoria precisa ser mais intenso para superar os patamares anteriores.
Para Natália Fregonesi, melhorar os resultados do ensino médio exige aproximar a escola do cotidiano dos estudantes.
A especialista avalia que a desmotivação nessa etapa decorre da combinação de defasagens acumuladas com uma escola muitas vezes desconectada da realidade e dos projetos de futuro dos jovens.
“Muitas vezes, a escola acaba não respondendo aos anseios do jovem, às suas necessidades, fazendo com que tenham alguma dificuldade de conseguir enxergar como que essa etapa e a escola podem contribuir para seu futuro”, comentou Natália Fregonesi.
Na edição de 2025, o Saeb avaliou 5,9 milhões de alunos, distribuídos em 73,7 mil escolas e 247,7 mil turmas em todo o território nacional.
Criado em 1990, o Sistema de Avaliação da Educação Básica reúne avaliações externas em larga escala, compostas por testes e questionários.
Os resultados apresentam informações sobre o desempenho dos estudantes e fatores relacionados ao processo educacional.
As médias obtidas no Saeb, junto com os dados de fluxo escolar do Censo Escolar, compõem o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Leia também | Pais inspiram hábitos saudáveis para os filhos
Tags: Saeb 2025, Sistema de Avaliação da Educação Básica, educação básica, Ministério da Educação, MEC, Ideb, Inep, aprendizagem, língua portuguesa, matemática, ensino fundamental, ensino médio, anos iniciais, anos finais, pandemia, covid-19, recuperação da aprendizagem, proficiência, Todos Pela Educação, Natália Fregonesi, Fundação Lemann, Felipe Proto, Leonardo Barchini, Prova Nacional Docente, PND, formação de professores, políticas públicas educacionais, Censo Escolar, Portal Terra Da Luz