

A mobilização ocorre em protesto contra a proposta de reforma trabalhista que está em tramitação no Parlamento português. | Foto: REUTERS/Pedro Nunes
03 de junho de 2026 – Portugal enfrenta nesta quarta-feira (3) uma greve geral convocada pelas principais centrais sindicais do país. A mobilização ocorre em protesto contra a proposta de reforma trabalhista que está em tramitação no Parlamento português e já provoca impactos em diversos setores, incluindo transporte aéreo, ferroviário, saúde, educação e serviços públicos.
Enquanto o governo português defende as mudanças como necessárias para modernizar o mercado de trabalho e fortalecer a competitividade da economia, sindicatos e partidos de oposição afirmam que a proposta representa um retrocesso nos direitos trabalhistas.
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O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, argumenta que o país possui uma das legislações trabalhistas mais rígidas entre os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Segundo o governo, a reforma busca estimular investimentos, acelerar o crescimento econômico e aumentar a flexibilidade nas relações de trabalho.
Entre as principais mudanças previstas estão a ampliação das possibilidades de terceirização, a criação de mecanismos de banco de horas para atender períodos de maior demanda e alterações nas regras de contratação e demissão.
Na prática, algumas modalidades de contratação temporária passariam a ter menos restrições, enquanto as empresas teriam mais liberdade para negociar jornadas, horários e escalas de trabalho com seus funcionários.
O projeto também altera critérios relacionados ao pagamento de indenizações em casos de demissão considerada irregular.
As centrais sindicais portuguesas criticam duramente a proposta e afirmam que as mudanças poderão facilitar demissões sem justa causa, aumentar a precarização das relações de trabalho e enfraquecer direitos trabalhistas e sindicais conquistados ao longo das últimas décadas.
Por esse motivo, trabalhadores de diferentes categorias aderiram à paralisação nacional, que afeta tanto o setor público quanto parte da iniciativa privada.
Os impactos da greve começaram a ser percebidos ainda no início da semana, especialmente no transporte aéreo.
Companhias que operam voos entre Brasil e Portugal registraram cancelamentos e alterações em suas operações.
✈️ Permanecem programados os voos TP82 e TP88, na rota Guarulhos-Lisboa.
✈️ O voo TP89, de Lisboa para Guarulhos, também está mantido.
✈️ No Rio de Janeiro, seguem previstos os voos TP72 e TP74, entre Galeão e Lisboa, além do TP73, de Lisboa para o Galeão.
✈️ O voo TP118, de Porto Alegre para Lisboa, também foi mantido.
✈️ Foram cancelados os voos AD8900, de Viracopos para Lisboa, e AD8901, de Lisboa para Viracopos.
✈️ Para atender os passageiros afetados, a companhia programou voos extras: AD9700 (Viracopos-Lisboa) nesta quarta-feira (3) e AD9701 (Lisboa-Viracopos) na quinta-feira (4).
✈️ Foram cancelados os voos LA8147 e LA8149, ambos na rota Lisboa-Guarulhos.
✈️ A empresa informou que os clientes poderão remarcar as viagens sem cobrança de multa ou diferença tarifária, solicitar reembolso integral ou alterar o destino da passagem.
Além dos aeroportos, o setor ferroviário também registra impactos. A Comboios de Portugal alertou para atrasos e cancelamentos em viagens nacionais e regionais.
Os sistemas de metrô e ônibus devem operar parcialmente nas cidades de Lisboa e Porto, provocando transtornos para milhares de passageiros.
Hospitais, escolas e repartições públicas também podem funcionar com capacidade reduzida ao longo do dia. A expectativa é de filas maiores e atrasos em diversos serviços considerados essenciais.
O governo português espera aprovar a reforma trabalhista nas próximas semanas, mas a greve demonstra a forte resistência de sindicatos e trabalhadores às mudanças propostas.
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