

Governo americano propõe novas tarifas sobre produtos de 60 economias, incluindo o Brasil. | Foto: REUTERS/Ken Cedeno
03 de junho de 2026 – Os Estados Unidos anunciaram uma proposta para aplicar tarifas adicionais sobre produtos importados de 60 economias, incluindo o Brasil, sob a alegação de falhas no combate ao trabalho forçado. A medida foi divulgada nesta terça-feira (2) pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e ainda passará por consulta pública antes de uma eventual implementação.
A investigação foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, o mesmo instrumento legal utilizado recentemente para justificar a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Segundo o relatório, diversos países não adotam mecanismos considerados eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado, criando uma concorrência considerada desleal para empresas e trabalhadores norte-americanos.
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O governo dos Estados Unidos propôs dois níveis de sobretaxação.
O primeiro prevê uma tarifa adicional de 10% para países que já possuem algum tipo de proibição parcial ou assumiram compromissos formais por meio de acordos comerciais. Nesse grupo estão União Europeia, Canadá, México, Indonésia, Paquistão e Equador.
Já o segundo nível estabelece uma tarifa adicional de 12,5% para economias consideradas sem regimes eficazes de controle. O Brasil aparece nessa categoria, ao lado de países como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina e Arábia Saudita.
Ainda não foi esclarecido pelas autoridades americanas se essa nova tarifa será somada a outras medidas tarifárias já propostas ou em vigor.
De acordo com o documento divulgado pelo USTR, o Brasil falhou em impor e fiscalizar uma proibição efetiva à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Embora reconheça que o país mantém compromissos internacionais de combate ao trabalho escravo e possua instrumentos como a chamada “Lista Suja” do trabalho escravo, o relatório sustenta que não existe uma barreira legal considerada suficientemente eficaz para impedir a entrada desses produtos no mercado brasileiro.
Por essa razão, a conduta brasileira foi classificada pelos Estados Unidos como “irracional” e prejudicial ao comércio norte-americano.
“A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável”, afirmou o embaixador Jamieson Greer.
“Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais”, acrescentou.
Antes de qualquer decisão definitiva, a proposta passará por um período de consulta pública.
O governo americano receberá manifestações e comentários por escrito até o dia 6 de julho de 2026. Em 7 de julho, o USTR promoverá audiências públicas para discutir as medidas sugeridas.
Segundo o órgão, a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado nos mercados globais prejudica empresas que seguem padrões éticos, além de contribuir para a manutenção do chamado trabalho escravo moderno.
A lista divulgada pelos Estados Unidos inclui 60 economias, entre elas Brasil, Argentina, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Canadá, México, Austrália, África do Sul, Rússia, Arábia Saudita, Tailândia, Vietnã, Indonésia, Malásia, Filipinas, Chile, Colômbia, Peru, Uruguai e a União Europeia.
O relatório também apresenta estudos de caso relacionados à produção de arroz em Mianmar e tabaco no Maláui, além de mencionar países europeus como Polônia e Espanha como destinos de exportações que competem diretamente com produtos norte-americanos.
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