

Novo tratamento contra malária em crianças começa a ser distribuído no SUS e promete reduzir recaídas da doença no Brasil | Foto: TV Brasil/reprodução
05 de março de 2026 – O Ministério da Saúde iniciou a oferta de um novo tratamento contra a malária em crianças menores de 16 anos no Sistema Único de Saúde (SUS). A nova estratégia inclui o uso da tafenoquina na formulação pediátrica de 50 mg, indicada para pacientes com peso entre 10 kg e 35 kg.
A medida representa um avanço importante no combate à doença, já que o público infantil concentra cerca de 50% dos casos de malária registrados no país. Até então, o medicamento estava disponível apenas para jovens e adultos a partir dos 16 anos.
O Brasil tornou-se o primeiro país do mundo a disponibilizar a tafenoquina pediátrica no sistema público de saúde. A distribuição ocorrerá de forma gradual, priorizando áreas com maior incidência da doença, especialmente na região Amazônica.
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Segundo o Ministério da Saúde, o novo medicamento será administrado em dose única para pacientes diagnosticados com malária vivax (Plasmodium vivax), desde que tenham peso superior a 10 kg e não estejam grávidas ou em período de amamentação.
A principal vantagem da nova terapia é a praticidade. Antes, o tratamento disponível exigia até 14 dias de medicação contínua, o que dificultava a adesão, sobretudo entre crianças.
De acordo com a pasta, a nova apresentação do fármaco oferece mais conforto às famílias e profissionais de saúde, aumentando a adesão ao tratamento, eliminando o parasita de forma mais eficiente e prevenindo recaídas da doença.
O Ministério da Saúde investiu cerca de R$ 970 mil na aquisição do medicamento e já recebeu 64.800 doses. Inicialmente, serão distribuídos 126.120 comprimidos da tafenoquina pediátrica em todo o território nacional.
As primeiras entregas priorizam regiões com alta incidência da doença, como os Distritos Sanitários Especiais Indígenas Yanomami, Alto Rio Negro, Rio Tapajós, Manaus, Vale do Javari e Médio Rio Solimões e Afluentes.
Esses territórios concentram aproximadamente metade dos casos de malária em crianças e adolescentes de até 15 anos no Brasil.
O primeiro local a receber o medicamento foi o Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami, que recebeu 14.550 comprimidos. A região já havia sido a primeira do país a receber a versão de 150 mg da tafenoquina, destinada a pacientes com mais de 16 anos, em 2024.
O Ministério da Saúde destacou que a malária permanece como um dos principais desafios de saúde pública na Amazônia, especialmente em áreas remotas e territórios indígenas, onde fatores geográficos e sociais aumentam a vulnerabilidade à doença.
Nos últimos anos, entretanto, o país registrou avanços importantes no controle da enfermidade. Entre 2023 e 2025, no território Yanomami, houve aumento de 103,7% na realização de testes para diagnóstico da malária e crescimento de 116,6% nos casos identificados.
Ao mesmo tempo, foi registrada uma redução de 70% nas mortes provocadas pela doença na região.
Em todo o Brasil, 2025 registrou o menor número de casos de malária desde 1979, com 120.659 notificações — queda de 15% em comparação com 2024. Entre populações indígenas, a redução foi de 16%.
A região Amazônica continua concentrando a grande maioria dos registros. No ano passado, foram contabilizados 117.879 casos, o equivalente a cerca de 99% das ocorrências no país.
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