

Senado iniciou discussão da PEC que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada sem corte de salário | Foto: Gil Leonardi/ImprensaMG
06 de outubro de 2026 – O plenário do Senado Federal realizou, nesta terça-feira (6), a primeira sessão de discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1, sem redução de salário.
A proposta prevê a transição para uma jornada com dois dias de descanso remunerado por semana.
Durante a sessão, os discursos foram favoráveis à aprovação da medida. A maioria dos senadores presentes integra a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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A maior parte dos senadores do PL não participou da reunião sobre o tema.
Dos 15 senadores da legenda, seis registraram presença: Efraim Filho (PB), Izalci Lucas (DF), Eduardo Gomes (TO), Magno Malta (ES), Wilder Morais (GO) e Marcio Bittar (AC).
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não participou da discussão, nem de forma remota, mesmo estando em Brasília. A sessão foi semipresencial.
Aliados de Flávio tentam evitar a votação da PEC e defendem a análise de uma proposta alternativa sobre o tema.
Antes da discussão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou que deve colocar a PEC do fim da escala 6×1 em votação na próxima semana.
Durante a sessão, Alcolumbre recebeu lideranças sindicais favoráveis à proposta.
O presidente do Senado afirmou que os parlamentares devem votar “com a sua consciência e com a sua convicção” sobre se o trabalhador merece ou não mais um dia de descanso.
Alcolumbre também disse que pretende seguir o rito normal de tramitação, sem acelerar as discussões.
Pelo rito previsto, o Senado deve realizar mais quatro sessões de debate antes da votação em primeiro turno.
Para ser aprovada, uma PEC precisa de 49 votos favoráveis em duas votações no plenário.
Entre governistas, a expectativa é tentar aprovar a proposta em dois turnos antes do segundo turno da eleição presidencial.
A base do governo também pretende pressionar integrantes da oposição que tentem evitar a votação da PEC.
Integrantes do PL e do Republicanos devem se reunir nesta quarta-feira (7) para definir uma estratégia sobre a tramitação da proposta.
Flávio Bolsonaro voltou a defender uma proposta alternativa.
O texto defendido pela oposição prevê a possibilidade de redução da jornada, mas com redução proporcional do salário.
Entre os senadores que discursaram nesta terça-feira, nenhum se declarou contra a mudança da jornada para garantir dois dias de descanso remunerado.
O primeiro a falar foi o senador Paulo Paim (PT-RS), defensor histórico do fim da escala 6×1.
Paim está no último ano de mandato e em fase de encerramento da carreira política.
“Olhem para o ser humano, olhem para o trabalhador, olhem para as famílias, olhem para os idosos, olhem para os jovens, olhem para as pessoas com deficiência, olhem para quem acorda de madrugada, olhem para quem pega transporte, olhem para quem trabalha seis dias para descansar um, porque, no fundo, esta não é uma discussão sobre quatro horas ou menos, é uma discussão sobre quatro horas a mais de vida por semana, é uma discussão sobre o direito de ter tempo”, disse Paim.
O senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) afirmou ser favorável à mudança da escala 6×1 para 5×2, mas fez críticas ao texto atual da proposta.
Segundo ele, é necessário avaliar os impactos da mudança e garantir prazo adequado de transição.
“Sou favorável a mudar a escala 6×1 para 5×2. Sou favorável, não me diga que sou contra. Mas é preciso ver os efeitos colaterais. A questão do prazo é fundamental. Não se pode exigir que uma transformação desse tipo seja feita em dois meses. É irracional. Não se pode fazer isso do dia para a noite”, disse Oriovisto.
Pelo texto em discussão, a transição da jornada será feita em 14 meses.
Caso a PEC seja aprovada, a jornada semanal será reduzida para 42 horas em dois meses, com dois dias de repouso semanal remunerado.
Depois de um ano, a jornada passará para 40 horas semanais.
A proposta mantém a previsão de redução da escala sem corte de salário.
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