

Especialistas orientam que avaliação física, fortalecimento muscular e retorno gradual aos treinos são fundamentais para prevenir lesões esportivas. | Foto: divulgação
11 de agosto de 2026 – O crescimento da prática de corrida de rua e da musculação no Brasil tem sido acompanhado pelo aumento dos casos de lesões musculoesqueléticas entre atletas amadores e praticantes de atividades físicas. Dados da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (ABRACEO) mostram que, em 2025, o número de corridas oficiais no país aumentou 85%, passando de 2.827 para 5.241 eventos.
Embora esse cenário estimule hábitos mais saudáveis, especialistas alertam para a necessidade de planejamento, acompanhamento profissional e respeito aos limites do corpo para evitar lesões que podem comprometer o desempenho e a qualidade de vida.
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Entre os problemas mais comuns estão tendinites, entorses, estiramentos musculares, dores nos joelhos, lesões nos ombros e na coluna. Na maioria dos casos, essas ocorrências estão relacionadas ao aumento excessivo da carga de treinamento, execução incorreta dos movimentos, falta de preparação física e retorno antecipado às atividades após uma lesão.
Segundo a fisioterapeuta Nívia Paula, sócia do Instituto Movis e especialista em fisioterapia traumato-ortopédica, muitos desses problemas podem ser evitados com orientação adequada e atenção aos primeiros sinais do organismo.
“É comum que muitas pessoas aumentem a intensidade dos treinos rapidamente ou ignorem pequenos desconfortos, acreditando que a dor faz parte da evolução física. Mas a dor persistente nunca deve ser considerada normal. Quando investigada precocemente, a lesão pode ser tratada antes de comprometer o desempenho esportivo e a qualidade de vida”, destaca.
De acordo com a especialista, corredores costumam apresentar com maior frequência síndrome da dor femoropatelar, fascite plantar, canelite, tendinites e estiramentos musculares.
Já entre os praticantes de musculação, predominam lesões nos ombros, joelhos e região lombar, geralmente provocadas pelo excesso de peso utilizado nos exercícios, execução inadequada dos movimentos e ausência de um planejamento progressivo dos treinos.
A prevenção começa antes mesmo do início da prática esportiva. Segundo Nívia Paula, uma avaliação funcional permite identificar limitações de mobilidade, desequilíbrios musculares e déficits de força que podem favorecer o surgimento de lesões.
“Cada pessoa possui características biomecânicas diferentes. Por isso, é fundamental que o planejamento dos exercícios considere fatores como mobilidade, estabilidade, força muscular e histórico de lesões. Essa avaliação permite corrigir desequilíbrios e reduzir significativamente o risco de problemas durante a prática esportiva”, reforça.
Outro erro frequente, segundo a fisioterapeuta, é voltar aos treinos logo após o desaparecimento da dor, sem que a recuperação esteja completa.
“O desaparecimento da dor não significa que o organismo esteja totalmente recuperado. O retorno ao esporte deve acontecer somente quando força, mobilidade, estabilidade e capacidade funcional forem restabelecidas. Antecipar esse processo aumenta significativamente o risco de uma nova lesão”, afirma.
Ela explica que a reabilitação deve ser individualizada e levar em consideração fatores como modalidade esportiva, intensidade dos treinos, idade, histórico clínico e objetivos do paciente.
Recursos como terapia manual, exercícios terapêuticos específicos, eletroterapia, laserterapia, crioterapia e outras tecnologias voltadas à recuperação muscular podem contribuir para uma reabilitação mais segura quando associados a uma avaliação profissional criteriosa.
A especialista recomenda alguns cuidados para reduzir os riscos durante a prática de atividades físicas:
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