

Especialistas alertam que o uso excessivo e compulsivo do celular pode afetar o sono, a saúde mental e a qualidade de vida. | Foto: Freepik
05 de agosto de 2026 – O brasileiro passa, em média, 51 horas e 35 minutos por semana consumindo conteúdos digitais, o equivalente a mais de sete horas por dia. O dado faz parte do relatório Digital 2026, da plataforma DataReportal, e evidencia o avanço da hiperconectividade na rotina da população.
Segundo especialistas, porém, o principal fator de preocupação não é apenas o tempo diante das telas, mas a forma como a tecnologia é utilizada e os impactos desse comportamento sobre a saúde mental.
De acordo com a psiquiatra Camila Magalhães Silveira, do Hospital Sírio-Libanês, o uso excessivo do celular pode se transformar em um comportamento automático e compulsivo.
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Embora o chamado “vício em celular” ainda não seja considerado um diagnóstico formal, a especialista explica que o cérebro reage de maneira semelhante ao observado em outras dependências comportamentais.
“As notificações, curtidas e novos conteúdos ativam repetidamente o sistema cerebral ligado à recompensa, favorecendo a liberação de dopamina e tornando o comportamento cada vez mais automático. Assim, muitas pessoas passam a recorrer ao celular para aliviar ansiedade, estresse ou tristeza, reforçando um ciclo de dependência emocional.”
Outro fator de atenção é o impacto das redes sociais sobre a percepção da própria vida e da própria imagem.
Segundo uma revisão publicada na revista científica Computers in Human Behavior Reports, que analisou 37 estudos, o uso intenso das plataformas está associado ao aumento dos índices de ansiedade, depressão e solidão em adultos.
Já uma pesquisa do Joint Research Centre (JRC) aponta que adolescentes podem sofrer prejuízos no bem-estar psicológico devido à comparação social, ao medo de ficar de fora (FoMO) e ao aumento da insatisfação com a imagem corporal.
Para a psiquiatra, o cérebro permanece constantemente estimulado durante o consumo de conteúdo digital.
“Embora muitas pessoas acreditem que estão descansando ao passar horas nas redes sociais, o cérebro continua recebendo estímulos o tempo todo. Quando, ao final desse período, surgem sinais como cansaço mental, irritação ou dificuldade para organizar os pensamentos, é um indicativo de que esse momento deixou de ser uma pausa e passou a contribuir para a sobrecarga.”
O hábito de utilizar o celular antes de dormir também pode comprometer a qualidade do sono e afetar a regulação emocional no dia seguinte.
Segundo a especialista, dormir mais tarde por causa das telas aumenta a irritabilidade, reduz a capacidade de concentração e favorece quadros de ansiedade.
Apesar disso, Camila Magalhães ressalta que a solução não é abandonar a tecnologia, mas desenvolver hábitos mais saudáveis.
“Pequenas mudanças de hábito já fazem diferença. Desativar notificações desnecessárias, evitar o celular na última hora antes de dormir, revisar os conteúdos consumidos nas redes sociais e reservar tempo para atividades presenciais ajudam a construir uma boa higiene digital. A tecnologia deve facilitar a vida, e não ocupar o espaço do descanso, da convivência e do autocuidado.”
Especialistas destacam alguns comportamentos que podem indicar que o uso da tecnologia está prejudicando a saúde mental:
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