

Lula disse na semana passada que Brasil não aceita "ser tratado como moleque", após anúncio da Casa Branca sobre classificação de facções criminosas como organizações terroristas. | Foto: Ricardo Stuckert / PR
02 de junho de 2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atribuiu, nesta terça-feira (2), à atuação de integrantes da família Bolsonaro junto ao governo dos Estados Unidos a divulgação do relatório que propõe uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.
Durante discurso em Catalão, no estado de Goiás, Lula criticou duramente os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e afirmou que eles teriam atuado para estimular medidas contra o Brasil.
“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele, e são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras”, declarou o presidente.
Ao comentar o tema, o presidente elevou o tom das críticas e classificou como traição qualquer tentativa de buscar apoio externo para pressionar instituições brasileiras.
“É isso que vocês têm que dizer em alto e bom som. São traidores. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso povo?”, afirmou.
As declarações ocorreram um dia após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluir uma investigação comercial contra o Brasil e propor a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, além de apresentar críticas ao Pix, à proteção da propriedade intelectual, ao combate à corrupção e a outras áreas.
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Em nota oficial, o governo brasileiro afirmou ter recebido o relatório norte-americano “com indignação” e atribuiu a abertura da investigação à atuação política da família Bolsonaro.
Segundo o Palácio do Planalto, a medida representa uma tentativa de ingerência em assuntos internos do país.
O documento também destacou que Brasil e Estados Unidos mantêm negociações para evitar a aplicação de novas tarifas e buscar uma solução negociada para o impasse comercial.
Durante o discurso, Lula mencionou declarações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.
O presidente relembrou manifestações feitas nas redes sociais após o anúncio de sanções comerciais pelos Estados Unidos em 2025.
“No dia em que ele taxou, os ‘meninos do Bolsonaro’, um deles, que é candidato a presidente, disse no dia 9 de julho de 2025: ‘Obrigado Trump, faça o Brasil livre de novo’”, afirmou Lula.
Na semana passada, Flávio Bolsonaro esteve em Washington e participou de reuniões com integrantes do governo norte-americano. Nesta terça-feira, o senador declarou que pediu ao presidente Donald Trump para não ampliar tarifas contra o Brasil.
Ao longo do pronunciamento, Lula voltou a criticar o grupo político liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Eu já fiz muita campanha política, eu já enfrentei muita gente de direita. Nunca esse país teve a sordidez política que a gente tem com essa família que assumiu o governo de 2018 a 2022”, declarou.
O presidente também afirmou que eventuais medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos teriam impacto sobre trabalhadores, empresários e produtores brasileiros.
“Ele não vai prejudicar o Lula. Vai prejudicar o povo, os empresários e o agronegócio brasileiros”, disse.
No mesmo discurso, Lula destacou um anúncio envolvendo o mercado chinês como contraponto às tensões comerciais com os Estados Unidos.
Segundo o presidente, a China reconheceu oficialmente o status sanitário do Brasil como país livre da febre aftosa, ampliando oportunidades para as exportações de carne brasileira.
“Se você não quiser comprar de mim, eu vou vender para outro”, afirmou.
O relatório divulgado pelo USTR sugere a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, mas prevê exceções para itens considerados estratégicos para a economia norte-americana.
Entre os produtos que poderiam permanecer isentos estão carnes, frutas, café, aeronaves, fertilizantes, terras raras e determinados produtos industriais.
A proposta ainda não entrou em vigor. Pela legislação dos Estados Unidos, o governo deverá realizar consultas públicas antes de decidir sobre a adoção definitiva das medidas.
O prazo final para conclusão do processo está previsto para 15 de julho de 2026.
Na nota divulgada pelo governo brasileiro, o Planalto argumenta que os Estados Unidos acumulam superávit comercial na relação bilateral com o Brasil há vários anos.
Segundo dados citados pelo governo, os EUA registraram superávit de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços no comércio com o Brasil entre 2011 e 2025.
O texto também ressalta que grande parte das importações provenientes dos Estados Unidos entra no mercado brasileiro com alíquotas reduzidas ou isenção de imposto de importação.
O governo brasileiro informou que continuará participando das negociações com autoridades norte-americanas e que poderá recorrer aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional.
A administração federal reiterou a expectativa de que as recomendações apresentadas pelo USTR não sejam transformadas em tarifas efetivas e afirmou que adotará medidas para proteger a economia brasileira caso as sanções sejam implementadas.
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