
Televisão estatal da Hungria interrompe noticiário e anuncia reformulação para fortalecer a independência editorial. | Foto: REUTERS/Marton Monus
09 de julho de 2026 – A televisão estatal da Hungria interrompeu temporariamente sua programação de notícias para iniciar um processo de reformulação editorial que, segundo a nova administração, busca tornar o serviço público de comunicação mais independente e confiável. A medida ocorre após o fim dos 16 anos de governo do ex-primeiro-ministro Viktor Orbán e faz parte das mudanças promovidas pelo novo governo de Péter Magyar.
Na última terça-feira (7), o principal canal da emissora pública, o M1, substituiu a programação jornalística por uma tela preta exibindo uma mensagem de pedido de desculpas ao público.
“A mídia de serviço público não pode mentir. Pedimos desculpas por termos feito isso durante tantos anos.”
A iniciativa repercutiu na imprensa internacional e simboliza a tentativa do novo governo de reconstruir a confiança na comunicação pública do país.
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Segundo comunicado divulgado pela própria televisão estatal, a suspensão temporária do noticiário permitirá a implementação de mudanças voltadas ao fortalecimento da independência editorial e da credibilidade da emissora.
De acordo com relatos publicados por outros veículos de imprensa da Hungria, parte da equipe de editores das emissoras públicas de rádio e televisão foi substituída após a nomeação de uma gestão interina.
O novo primeiro-ministro, Péter Magyar, classificou a medida como “o fim das transmissões de propaganda nas plataformas públicas”.
Desde que assumiu o cargo em 9 de maio, Péter Magyar tem anunciado uma série de reformas voltadas ao combate à corrupção e à reorganização das instituições públicas.
Entre as principais iniciativas está a chamada Operação Fogo Purificador, que prevê alterações constitucionais destinadas a evitar futuras concentrações de poder semelhantes às registradas durante a gestão de Viktor Orbán.
O partido Tisza, liderado por Magyar, possui maioria de dois terços no Parlamento húngaro e aprovou nas últimas semanas um conjunto de medidas voltadas ao fortalecimento dos mecanismos de transparência e ao desmonte do Escritório de Proteção da Soberania, órgão que, segundo críticos, era utilizado para perseguir opositores e vozes críticas ao antigo governo.
As reformas também são vistas como estratégicas para melhorar a relação da Hungria com a União Europeia e destravar cerca de 16 bilhões de euros (aproximadamente R$ 102,4 bilhões) em recursos europeus que permanecem bloqueados.
Em entrevista à agência AFP, a analista política Zsuzsanna Végh, do German Marshall Fund, afirmou que as mudanças representam um marco na política húngara.
“Essas medidas sinalizam claramente o fim do modelo de intimidação de Orbán e de sua política baseada na propaganda”, declarou.
O partido de Viktor Orbán reagiu às medidas acusando o novo governo de tentar implantar um “comando autocrático”, crítica frequentemente direcionada ao próprio ex-primeiro-ministro durante seus anos no poder.
As reformas continuam sendo acompanhadas por instituições europeias e observadores internacionais, que avaliam seus impactos sobre a democracia, a liberdade de imprensa e o funcionamento das instituições públicas da Hungria.
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Tags: Hungria, Viktor Orbán, Péter Magyar, TV estatal, mídia pública, liberdade de imprensa, União Europeia, reforma institucional, jornalismo, propaganda, política internacional, AFP, German Marshall Fund, Europa, Portal Terra da Luz