

A terra é o eixo central das negociações, que também buscam avançar em pendências deixadas pela COP16, realizada em 2024, na Arábia Saudita. | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
17 de agosto de 2026 – A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) começou nesta segunda-feira (17), em Ulaanbaatar, capital da Mongólia, reunindo representantes de 196 países e da União Europeia para discutir medidas de enfrentamento à seca, restauração de ecossistemas, segurança hídrica e alimentar e fortalecimento da governança ambiental. A programação segue até o dia 28 de agosto.
A terra é o eixo central das negociações, que também buscam avançar em pendências deixadas pela COP16, realizada em 2024, na Arábia Saudita. Um dos principais desafios é alcançar consenso sobre a criação de um instrumento internacional voltado ao fortalecimento da governança das secas, tema que não teve acordo na edição anterior.
Outro destaque da conferência são as metas de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN), por meio das quais os países apresentam ações para preservar ou ampliar a qualidade e a produtividade dos solos. Também estão em pauta o aumento do financiamento global, a ampliação da participação social e a integração entre as convenções da ONU sobre clima, biodiversidade e desertificação.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
A secretária-executiva da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), Yasmine Fouad, demonstrou expectativa de que a conferência produza resultados concretos.
“Há um reconhecimento crescente entre as Partes de que terras saudáveis são a base para a segurança alimentar e hídrica, a resiliência econômica e o desenvolvimento sustentável”, afirmou Yasmine Fouad.
Segundo a dirigente, “A COP17 oferece uma oportunidade não apenas de avançar nas negociações, mas também de demonstrar que a Convenção está se tornando, cada vez mais, uma plataforma para a entrega de soluções práticas e resultados mensuráveis”.
Na área financeira, a diretora-gerente do Mecanismo Global da UNCCD, Louise Baker, destacou que seriam necessários cerca de US$ 1 bilhão por dia até 2030 para atingir as metas globais de recuperação das terras degradadas.
“O investimento atual fica muito aquém desse patamar. O financiamento público desempenha um papel essencial na redução de riscos e na viabilização de fluxos muito maiores de investimento privado. É por isso que o financiamento é um foco central na COP17”, declarou Baker.
Ela acrescentou que empresas dos setores de alimentos, bebidas, moda, farmacêutico e cosméticos possuem interesse econômico direto na conservação dos recursos naturais.
“Cada dólar investido na restauração de terras pode gerar entre sete e 30 dólares em benefícios econômicos, tornando-a um dos investimentos de maior retorno disponíveis”, afirmou.
Mais de 130 países já estabeleceram metas voluntárias de Neutralidade da Degradação da Terra, estratégia baseada na prevenção, redução e reversão da degradação dos solos.
Durante a conferência, o governo brasileiro apresentará, pela primeira vez, seu conjunto de metas nacionais da LDN. Segundo levantamento do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), aproximadamente 55 milhões de hectares de terras brasileiras estavam em processo de degradação em 2020.
“O Brasil tem uma contribuição muito grande em iniciativas para evitar, reduzir ou reverter a degradação. Entre elas, estão políticas de conservação de unidades de conservação, de garantia de direitos territoriais de povos indígenas e comunidades tradicionais”, afirmou Alexandre Pires, diretor do Departamento de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca do MMA.
“Vamos apontar várias outras iniciativas que estão vinculadas ao conceito de restauração, para que possamos contribuir globalmente com as metas”, completou.
A programação da COP17 também contempla debates sobre restauração de pastagens, segurança hídrica, sistemas alimentares, saúde do solo e participação de povos indígenas, comunidades tradicionais, juventude e setor privado.
Pela primeira vez, indígenas contarão com um espaço oficial de articulação política dentro da conferência, resultado de proposta apresentada pelo Brasil durante a COP16.
“São os povos indígenas e comunidades tradicionais que estão nos territórios semiáridos sendo afetados pela degradação da terra, pela desertificação e pelas secas. Eles precisam ter voz dentro da Convenção”, ressaltou Alexandre Pires.
Leia também | Rota das Emoções mira turista estrangeiro
Tags: COP17, ONU, desertificação, seca, mudanças climáticas, meio ambiente, sustentabilidade, restauração de terras, degradação do solo, financiamento climático, Mongólia, segurança hídrica, segurança alimentar, biodiversidade, Brasil, Ministério do Meio Ambiente, Yasmine Fouad, Alexandre Pires, UNCCD, Portal Terra da Luz