

Golpistas usam nomes e identidade visual de grandes marcas para simular falsas ofertas de empréstimos pela internet | Ilustração feita com auxílio de IA
17 de agosto de 2026 – A popularização das ofertas de crédito em meios digitais abriu espaço para um novo tipo de golpe: falsas propostas de empréstimos usando nomes e identidade visual de grandes marcas.
Criminosos copiam logotipos, cores, perfis de redes sociais e mensagens promocionais para convencer consumidores de que as ofertas são verdadeiras.
As fraudes podem simular créditos oferecidos por empresas de varejo, telefonia, delivery, bancos digitais, fintechs, plataformas de pagamento e aplicativos de serviços.
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Para o advogado Eduardo José de Oliveira Costa, especialista em Responsabilidade Civil e Relações de Consumo e sócio do escritório Lopes Muniz Advogados, os golpistas se aproveitam da confiança do público em empresas conhecidas.
“Os golpistas exploram justamente a credibilidade das marcas mais conhecidas. Eles copiam logotipos, identidade visual e perfis em redes sociais para criar mensagens que parecem legítimas”, afirma Eduardo José de Oliveira Costa.
Segundo ele, as tentativas de fraude circulam hoje em nome de bancos digitais, fintechs, plataformas de pagamentos, varejistas e aplicativos populares.
“O consumidor não pode confiar apenas porque reconheceu a marca na mensagem”, alerta.
Um dos principais sinais de fraude é a cobrança de qualquer valor antes da liberação do suposto empréstimo.
Segundo especialistas, instituições autorizadas e empresas sérias não exigem depósitos prévios para conceder crédito.
“O principal sinal de fraude é a exigência de dados excessivos ou de qualquer pagamento prévio, seja a título de taxa de liberação, seguro ou impostos, para conceder o crédito. Instituições autorizadas e empresas sérias jamais solicitam depósitos antecipados”, afirma Luis Fernando Prado, especialista em direito digital, proteção de dados e sócio do escritório Prado Vidigal Advogados.
Outro alerta importante é o pedido de transferência ou Pix para contas de pessoas físicas ou de terceiros.
O perigo pode começar antes mesmo de o consumidor preencher qualquer formulário.
Links enviados por mensagem, SMS, WhatsApp ou redes sociais podem direcionar a vítima para páginas falsas ou maliciosas.
“O simples ato de clicar no endereço eletrônico pode direcionar o consumidor para páginas maliciosas capazes de capturar dados de conexão, informações do navegador ou executar programas automatizados. Não é preciso preencher formulários para colocar a segurança digital do celular ou do computador em risco”, alerta Luis Fernando Prado.
Ao abrir o link, a página falsa pode executar programas sem ação direta do usuário, instalar vírus no aparelho, capturar senhas salvas no navegador ou acessar contas abertas no celular.
Para Eduardo José de Oliveira Costa, a proteção passa por hábitos simples de prevenção.
“Nunca pague para receber um empréstimo, desconfie da urgência e sempre confirme qualquer oferta diretamente nos canais oficiais da empresa”, orienta o advogado.
A recomendação é nunca tomar decisões apressadas diante de mensagens com tom de oportunidade imperdível, prazo curto ou suposta aprovação imediata.
Especialistas explicam que números de telefone usados nas abordagens podem ter origem em vazamentos de dados, cadastros compartilhados irregularmente ou invasões de contas de e-mail.
“Os criminosos utilizam informações obtidas em vazamentos de dados, cadastros compartilhados irregularmente e até invasões de contas de e-mail. O cruzamento dessas informações permite que eles abordem a vítima pelo nome e transmitam uma falsa sensação de legitimidade”, explica Eduardo José de Oliveira Costa.
Quem tiver interesse real no empréstimo não deve usar o link recebido por mensagem.
“O caminho mais seguro é contratar o serviço exclusivamente por meio do site ou do aplicativo oficial da marca”, orienta Luis Fernando Prado.
Se a oferta for verdadeira, ela deve estar disponível na área do cliente dentro do aplicativo ou site oficial da empresa.
Na dúvida, o consumidor deve ligar para os canais oficiais de atendimento e também pode consultar o site do Banco Central para verificar se a instituição financeira envolvida está autorizada a operar.
Quem cair em uma fraude deve agir rapidamente.
A orientação é registrar boletim de ocorrência, avisar a instituição financeira envolvida e comunicar a empresa cujo nome foi usado pelos criminosos.
O caso também pode ser levado ao Procon.
O consumidor deve ainda trocar senhas, bloquear cartões, acionar o banco e verificar movimentações suspeitas em contas e aplicativos.
Uma das fraudes mais comuns é o golpe da chamada taxa de liberação.
Nesse caso, o criminoso entra em contato pelo WhatsApp fingindo representar uma empresa que oferece empréstimos entre seus produtos financeiros.
A vítima recebe uma proposta de crédito com valor alto e juros baixos.
Durante a negociação falsa, o golpista afirma que a liberação do dinheiro depende do pagamento de uma taxa, seguro ou imposto, geralmente via Pix.
Empresas sérias e instituições autorizadas pelo Banco Central não pedem pagamento antes de o dinheiro ser liberado.
Outra modalidade frequente é o golpe do link falso.
A vítima recebe uma mensagem em nome de uma empresa informando que possui crédito pré-aprovado e deve clicar em um link para resgatar o valor.
O endereço leva a uma página falsa, visualmente parecida com a da empresa verdadeira.
Ao inserir CPF, senha ou dados do cartão, o consumidor entrega informações aos criminosos, que podem fazer empréstimos, acessar contas e clonar cartões.
Em alguns casos, apenas clicar no link já pode colocar o aparelho em risco.
Nesse golpe, a vítima recebe uma mensagem informando que, por causa de um suposto vazamento de dados, teria direito a um valor liberado pelo governo por meio de uma empresa conhecida.
O consumidor é orientado a clicar em um link para sacar o dinheiro.
Os criminosos usam o medo e o nome de grandes marcas para induzir a vítima a informar dados pessoais, que depois podem ser usados em empréstimos fraudulentos.
Também é comum o golpe do boleto falso após uma suposta aprovação de crédito.
A vítima recebe a informação de que tem um empréstimo aprovado, mas precisa pagar antecipadamente uma parcela para liberar o valor.
O boleto, no entanto, é falso, e o crédito nunca existiu.
No golpe do falso consignado, o criminoso se passa por banco e afirma que a vítima tem um consignado pré-aprovado pelo INSS ou pela empresa em que trabalha.
Para concluir a operação, pede dados pessoais, envia contrato falso e exige pagamento antecipado de IOF ou da primeira parcela via Pix.
No golpe do falso gerente, o criminoso liga fingindo ser representante de uma empresa de telefonia, varejo ou instituição financeira.
Ele diz que a conta da vítima apresenta movimentação suspeita e oferece um crédito ou seguro para proteção.
Em seguida, pede que a pessoa instale um aplicativo de acesso remoto.
Com o app instalado, o golpista pode assumir o controle do celular, acessar bancos, fazer Pix e contratar empréstimos sem que a vítima perceba.
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