

Mendonça liberou o sigilo de 18 processos diretamente relacionados ao caso Master. Além disso, retirou o segredo de Justiça de outros 20 processos. | Foto: Gustavo Moreno/STF
12 de setembro de 2026 – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na noite desta sexta-feira (11) a retirada do sigilo de novos documentos relacionados ao caso Master. A decisão ocorreu após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para ampliar o acesso aos procedimentos que integram as investigações.
Entre os processos que tiveram o sigilo levantado estão investigações relacionadas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), ao senador Jaques Wagner (PT-BA) e a Thiago Miranda.
Mendonça liberou o sigilo de 18 processos diretamente relacionados ao caso Master. Além disso, retirou o segredo de Justiça de outros 20 processos. Com a decisão anterior, tomada na quinta-feira (10), o número de procedimentos vinculados às apurações que serão tornados públicos chega a 53.
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Flávio Bolsonaro é alvo de investigação da Polícia Federal em um inquérito que apura a possível prática de crimes relacionados ao financiamento da produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O procedimento foi autorizado em julho por André Mendonça, após solicitação da Polícia Federal. A investigação envolve, entre outros elementos, conversas entre o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A apuração faz parte do conjunto de procedimentos relacionados ao Banco Master e à chamada Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo a instituição financeira e seus envolvidos.
A Procuradoria-Geral da República solicitou nesta sexta-feira (11) a retirada do sigilo de mais documentos relacionados ao caso. O órgão argumentou que a divulgação apenas de parte dos autos poderia “induzir à ideia equivocada de transparência”.
Segundo a PGR, a relação de documentos encaminhada pelo ministro André Mendonça não contemplava a maior parte dos procedimentos vinculados à investigação mais ampla da Polícia Federal.
“O que se verifica, porém, da listagem encaminhada é que nela não se contêm grande parte dos procedimentos atualmente correlatos à investigação mais ampla da chamada Operação Compliance Zero”, afirmou a PGR.
O órgão acrescentou que a ausência de parte dos documentos poderia comprometer a compreensão sobre o alcance das investigações.
“Fato que, embora se suponha motivado por alguma razão escusável de ordem administrativa, pode induzir à ideia equivocada de que a transparência […] perca, ao fim e ao cabo, o seu sentido último”, prossegue o documento.
O pedido foi encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, e assinado pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho. Ele e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, atuarão conjuntamente no caso.
Antes da nova decisão de Mendonça, os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin haviam encaminhado ofícios a Edson Fachin defendendo medidas para ampliar o acesso aos documentos do caso Master.
Zanin solicitou acesso a uma mídia específica relacionada à investigação. Segundo o ministro, o material é necessário para a análise de requerimentos apresentados pela PGR que deverão ser apreciados pelo STF na próxima semana.
No documento enviado a Fachin, Zanin afirmou que a mídia estaria abrangida tanto pela decisão de compartilhamento dos autos quanto pelo levantamento do sigilo determinado por Mendonça.
Alexandre de Moraes, por sua vez, defendeu o levantamento integral do sigilo dos procedimentos relacionados ao caso Master.
O ministro criticou o que classificou como uma retirada “seletiva” do sigilo e afirmou que parte das peças e documentos ainda não havia sido disponibilizada aos integrantes do STF.
De acordo com Moraes, 180 documentos e arquivos digitais foram excluídos do conjunto de procedimentos liberados aos ministros. Para ele, a disponibilização parcial do material dificulta uma análise completa dos fatos investigados.
Moraes também solicitou que duas petições relacionadas ao caso sejam analisadas conjuntamente. Uma delas trata de mensagens trocadas entre o ministro e Daniel Vorcaro. A outra reúne relatórios sobre a atuação de Mendonça em investigações.
A nova decisão ocorre um dia depois de André Mendonça determinar o levantamento do sigilo das principais investigações relacionadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, após solicitação de Edson Fachin.
Na ocasião, porém, permaneceram sob sigilo outras frentes de investigação, incluindo procedimentos relacionados ao senador Jaques Wagner e à apuração sobre o financiamento do filme “Dark Horse”.
A sequência de decisões e pedidos provocou divergências públicas entre integrantes do Supremo, a Procuradoria-Geral da República e a direção-geral da Polícia Federal sobre a extensão da publicidade dos documentos relacionados ao caso Master.
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