

Governo federal inicia reuniões com setores industriais para discutir medidas diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
21 de julho de 2026 – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia nesta terça-feira (21) a primeira rodada de reuniões com representantes do setor produtivo para discutir os impactos do tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
O objetivo dos encontros é apresentar as medidas iniciais em estudo, ouvir as demandas dos setores afetados e ajustar a estratégia de resposta do Brasil às novas tarifas norte-americanas.
Segundo fontes da Esplanada dos Ministérios, participarão das primeiras reuniões representantes da indústria automotiva, de máquinas e equipamentos, autopeças, calçados, têxtil, plástico, eletrônicos e pneumáticos.
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Entre as entidades convocadas pelo governo estão a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip).
As tratativas deverão ser conduzidas principalmente pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.
A estratégia do governo brasileiro envolve duas frentes principais: a ampliação de mercados consumidores para os produtos afetados pelas tarifas e a criação de um pacote de apoio às empresas prejudicadas, em uma nova edição do chamado Plano Brasil Soberano.
Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto avaliam que há poucas chances de negociação direta com os Estados Unidos antes das eleições presidenciais brasileiras de 2026. A percepção é de que a Casa Branca só retomaria as tratativas após o processo eleitoral, independentemente do resultado do pleito.
De acordo com estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o novo tarifaço poderá atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos.
Ainda segundo a pasta, aproximadamente 57% da pauta exportadora brasileira para o mercado norte-americano permanece isenta das novas tarifas. Outros 24% já estão submetidos a um regime tarifário específico relacionado às investigações sobre exportações de aço e alumínio.
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou a reserva de R$ 130 milhões para ampliar a presença dos produtos brasileiros em novos mercados internacionais.
Segundo o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, parte dos recursos será destinada ao custeio de viagens de empresários estrangeiros ao Brasil para negociações comerciais e fechamento de contratos com empresas nacionais.
A estratégia de diversificação terá foco principalmente na União Europeia, em razão do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Além disso, o plano também pretende ampliar as relações comerciais com países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) e nações da Ásia Central, como Uzbequistão e Cazaquistão.
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