

Parque Güell é um dos cartões-postais mais famosos de Barcelona, projetado por Antoni Gaudí. | Foto: Unsplash
21 de julho de 2026 – Barcelona decidiu estabelecer um limite anual de aproximadamente 16 milhões de turistas como parte de uma nova estratégia para conter os impactos do turismo excessivo e preservar a qualidade de vida da população local. A medida busca manter o fluxo de visitantes nos patamares registrados nos últimos anos e impedir um novo crescimento da atividade.
Em 2025, a cidade recebeu cerca de 15,7 milhões de visitantes. Segundo o comissário de Turismo Sustentável de Barcelona, José Antonio Donaire, o objetivo é impedir a expansão desse número.
“A mensagem da cidade agora é: nem um turista a mais”, afirmou José Antonio Donaire, em entrevista ao The New York Times.
Segundo o gestor, a cidade pretende manter o turismo em níveis sustentáveis, equilibrando os interesses da economia com a preservação dos espaços urbanos e da identidade dos bairros.
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Além de limitar a quantidade de turistas, a prefeitura pretende diversificar o perfil de quem visita Barcelona.
Atualmente, cerca de dois terços dos visitantes viajam por lazer. A meta da administração municipal é equilibrar esse público para que, futuramente, um terço seja composto por turistas de negócios, outro terço por visitantes interessados em atividades culturais e o restante por viajantes de lazer.
“Não adotamos uma postura contrária ao turismo. O que precisamos é administrar a atividade de forma organizada, e o primeiro objetivo dessa gestão é mudar o perfil dos turistas que visitam a cidade”, explicou Donaire.
A limitação também será consequência da redução da oferta de hospedagem.
“Já neste verão estamos vendo pessoas que não conseguem vir porque não encontram onde ficar. Não vamos atender ao aumento da demanda”, declarou o comissário.
O novo teto integra uma série de ações adotadas por Barcelona desde 2017 para enfrentar o chamado “overtourism”, expressão utilizada para definir destinos que recebem mais visitantes do que conseguem suportar de forma sustentável.
Entre as principais iniciativas estão:
Segundo Donaire, a intenção é que os próprios turistas contribuam para custear despesas como segurança, transporte, limpeza urbana e saneamento.
“Queremos poder dizer aos moradores que todos os serviços utilizados pelos turistas — segurança, saneamento, eletricidade e transporte — são totalmente subsidiados pela taxa turística”, afirmou. “De certa forma, pode-se dizer que os turistas estão financiando a ‘desturistificação’ de Barcelona.”
No ano passado, o governo espanhol também determinou o bloqueio de aproximadamente 65 mil anúncios de hospedagem na plataforma Airbnb.
Outro objetivo da prefeitura é devolver aos moradores áreas que passaram a ser ocupadas quase exclusivamente por turistas.
Entre as prioridades estão a revitalização do tradicional Mercado de La Boqueria, ampliando a oferta de produtos voltados ao consumo diário da população, e mudanças na famosa avenida La Rambla para incentivar um comércio mais diversificado.
“É importante que qualquer morador possa comprar um pão, um livro ou um parafuso no seu bairro”, destacou Donaire.
O chamado overtourism ocorre quando um destino recebe mais visitantes do que sua infraestrutura consegue absorver de forma sustentável.
Especialistas apontam que esse fenômeno provoca aumento dos preços dos imóveis, do custo de vida, do trânsito, da produção de resíduos e da pressão sobre serviços públicos, além de transformar bairros históricos em áreas voltadas quase exclusivamente para visitantes.
Segundo o professor de Turismo da Universidade de São Paulo (USP), Edegar Tomazzoni, a expansão das plataformas de aluguel por temporada e das redes sociais intensificou esse processo em diversos destinos turísticos.
“Isso causa um impacto na relação entre oferta e procura: houve aumento da procura e redução da oferta”, explicou.
Para Tatiana Marodin, doutora na área pela Universidade de Caxias do Sul, o fenômeno também afeta diretamente a população residente.
“Há aumento no preço dos imóveis, alimentos, custo de vida e a pessoa perde o poder de compra”, completou.
Barcelona está entre os destinos turísticos mais visitados da Europa. Somente a Basílica da Sagrada Família recebeu quase cinco milhões de visitantes em 2025, reforçando o desafio de conciliar turismo, preservação urbana e qualidade de vida.
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