

Especialistas alertam que o armazenamento e o preparo corretos dos alimentos são fundamentais para prevenir doenças transmitidas por contaminação alimentar. | Foto: divulgação
21 de julho de 2026 – As Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs) continuam sendo um dos principais desafios para a saúde pública mundial. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mais de 600 milhões de pessoas adoecem todos os anos em decorrência da ingestão de alimentos contaminados, resultando em cerca de 420 mil mortes em todo o planeta.
Além de sintomas como náuseas, vômitos, cólicas abdominais, diarreia e febre, os casos mais graves podem evoluir para desidratação severa, insuficiência renal, infecções generalizadas e até óbito.
Segundo o farmacêutico Valmique Filho, diretor do grupo cearense HS – Health & Safe, o risco está presente tanto na cadeia produtiva quanto no preparo doméstico dos alimentos.
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De acordo com o especialista, alimentos como carnes bovina, suína e de aves — especialmente carnes moídas —, ovos e derivados, leite cru, queijos frescos ou artesanais, pescados, frutos do mar e vegetais consumidos crus estão entre os que exigem maior cuidado no armazenamento e no preparo.
Após a ingestão de um alimento contaminado, os sintomas podem surgir entre uma e 72 horas, dependendo do agente causador da infecção.
“Como prevenção, antes de consumir qualquer alimento, o consumidor deve realizar uma triagem sensorial e de rotulagem no aspecto visual (alterações na cor original, presença de mofo, manchas estranhas ou acúmulo excessivo de líquido); odor (cheiro azedo, rançoso, de putrefação ou fermentação ativa); textura (alimentos viscosos, excessivamente moles ou com perda da consistência natural); embalagem (latas estufadas, amassadas ou enferrujadas); e informações de rótulo (data de validade, instruções de conservação e o selo de inspeção oficial)”, orienta Valmique Filho.
À frente do grupo HS – Health & Safe, sediado em Fortaleza, Valmique Filho explica que a segurança alimentar depende de um rigoroso controle laboratorial antes que os produtos cheguem ao consumidor.
Os exames realizados pela indústria alimentícia são divididos em quatro categorias principais:
Os exames microbiológicos identificam microrganismos como Salmonella spp., Listeria monocytogenes, Escherichia coli e Staphylococcus aureus, além de avaliar indicadores de higiene, como coliformes, bolores e leveduras.
Já os exames físico-químicos analisam fatores como acidez, pH, umidade e atividade da água, enquanto os toxicológicos investigam resíduos de pesticidas, metais pesados, micotoxinas e antibióticos veterinários. Os testes sensoriais verificam características como cor, odor, sabor e textura.
Segundo Valmique Filho, os métodos tradicionais de análise microbiológica levam entre três e sete dias úteis, pois dependem do crescimento das bactérias em laboratório.
Já as tecnologias modernas conseguem fornecer resultados preliminares ou confirmatórios entre 24 e 48 horas, acelerando a tomada de decisões pelas indústrias.
“Sem dúvida, o sistema TEMPO® é uma das grandes inovações tecnológicas que revolucionaram o setor de controle microbiológico de alimentos, encaixando-se perfeitamente no cenário de métodos rápidos. Projetado especificamente para a contagem de microrganismos indicadores — como coliformes, E. coli, bolores, leveduras e contagem total de aeróbios —, o equipamento é essencial para avaliar a higiene do processo de fabricação e a qualidade sanitária do produto final”, destaca o farmacêutico.
Entre as principais recomendações ao consumidor está seguir a chamada “regra das duas horas”, que orienta a não deixar alimentos cozidos ou perecíveis fora da refrigeração por mais de duas horas — ou apenas uma hora quando a temperatura ambiente ultrapassar 32°C.
O especialista também recomenda descongelar carnes apenas na geladeira ou no micro-ondas, quando forem preparadas imediatamente, evitando deixá-las sobre a pia ou expostas ao calor.
Outro cuidado importante é organizar corretamente a geladeira, mantendo alimentos prontos para consumo nas prateleiras superiores e carnes cruas devidamente embaladas nas inferiores, evitando a contaminação cruzada.
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