

Estudo publicado na revista NeuroImage analisou a atividade cerebral de jovens durante o consumo de vídeos curtos em diferentes categorias. | Foto: Anna Barclay/Getty Images
21 de agosto de 2026 – O consumo de vídeos curtos, como Reels do Instagram e Shorts do YouTube, pode alterar temporariamente a atividade de regiões do cérebro relacionadas ao controle cognitivo. É o que aponta um estudo publicado na revista científica NeuroImage, que analisou a resposta neural de 56 jovens durante a visualização livre desse tipo de conteúdo.
A pesquisa indica que vídeos curtos considerados mais interessantes pelos participantes direcionaram o processamento cerebral para o envolvimento emocional e a gratificação imediata. Segundo os pesquisadores, esse padrão pode estar relacionado ao consumo excessivo e à redução do autocontrole em determinados grupos.
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Durante a visualização dos conteúdos, os pesquisadores observaram uma desativação significativa do córtex cingulado anterior dorsal (dACC) e do córtex pré-frontal dorsolateral (dlPFC), especialmente quando os participantes assistiam aos vídeos de que mais gostavam e permaneciam até o final.
O dACC está associado ao controle cognitivo, à tomada de decisões e à identificação de conflitos. Já o dlPFC participa de processos como foco, planejamento, raciocínio e capacidade de pensar antes de agir.
Ao mesmo tempo, o estudo identificou aumento da conectividade entre regiões do córtex e do córtex pré-frontal durante a exibição dos vídeos, com efeito mais evidente diante dos conteúdos preferidos.
Para realizar o experimento, os pesquisadores utilizaram uma biblioteca com 160 vídeos curtos, divididos em cinco categorias: ações individuais, interações entre várias pessoas, animais de estimação, cenas de jogos e paisagens naturais.
Os participantes foram orientados a assistir aos vídeos de maneira espontânea, como fariam normalmente durante o lazer, enquanto os pesquisadores monitoravam as respostas cerebrais.
Os resultados indicaram que a reação do cérebro não é igual diante de todos os conteúdos. A resposta neural varia de acordo com o grau de interesse e de prazer provocado pelo vídeo.
Outro achado do estudo foi a associação entre as diferenças individuais na atividade da rede de controle cognitivo e o metabolismo do glutamato, um dos principais neurotransmissores excitatórios do cérebro.
O glutamato participa de processos importantes para o funcionamento cerebral, incluindo memória e aprendizado. A pesquisa sugere que fatores neuroquímicos podem ajudar a explicar por que algumas pessoas apresentam respostas diferentes ao consumo de vídeos curtos.
Os pesquisadores ressaltam, portanto, que o cérebro não reage de maneira uniforme a esse formato de conteúdo. A relevância e a preferência individual parecem influenciar tanto a atividade de determinadas regiões quanto a comunicação entre diferentes áreas cerebrais.
Os resultados ajudam a compreender possíveis mecanismos associados ao consumo excessivo de vídeos curtos, mas não significam que assistir a Reels ou Shorts, isoladamente, “desligue” o cérebro. O estudo observou alterações na atividade de redes específicas durante a visualização dos conteúdos.
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