

Biofábrica em Jaguaretama transformará pesquisas da Uece com água de coco em produção industrial voltada à saúde e nutrição. | Foto: divulgação/UECE
26 de maio de 2026 – Uma pesquisa desenvolvida há mais de 40 anos na Universidade Estadual do Ceará (Uece) alcançará um novo marco ainda no primeiro semestre de 2026 com a inauguração da primeira biofábrica industrial voltada ao processamento de água de coco em pó e compostos lácteos no município de Jaguaretama, no interior do Ceará.
A iniciativa transforma décadas de produção científica em aplicação industrial nas áreas de nutrição, saúde e biotecnologia, fortalecendo a conexão entre universidade, inovação e desenvolvimento regional.

A trajetória da tecnologia teve início nos laboratórios da Faculdade de Veterinária da Uece (Favet/Uece), liderada pelo professor emérito José Ferreira Nunes, referência nacional em biotecnologia da reprodução animal.
As primeiras pesquisas ocorreram na década de 1980 e investigavam o uso da água de coco em processos ligados à conservação de sêmen caprino e ovino.
Os estudos deram origem à primeira patente biológica internacional do Brasil na área de reprodução animal.
Com o avanço das pesquisas, o uso da água de coco “in natura” evoluiu para o desenvolvimento da água de coco em pó (ACP), ampliando as possibilidades de aplicação em áreas como nutrição clínica, regeneração tecidual, conservação de órgãos, nanomedicina e produção de bioprodutos.
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A nova unidade industrial será instalada em Jaguaretama, município com tradição na caprinocultura cearense.
A biofábrica terá capacidade para processar cerca de 2 mil litros de matéria-prima por dia para fabricação do ACP Lacte, composto nutricional produzido a partir da combinação entre água de coco em pó e leite de cabra.
A tecnologia teve patente depositada em 2019 por pesquisadores ligados à Uece.
Segundo os pesquisadores, o produto foi desenvolvido especialmente para atender populações em situação de vulnerabilidade nutricional, incluindo crianças, idosos e pacientes hospitalizados.
A proposta é contribuir no combate à fome proteica e ampliar alternativas de suplementação alimentar.

Além da aplicação nutricional, as pesquisas envolvendo água de coco em pó também apresentaram resultados promissores na área da saúde.
Estudos clínicos citados na publicação “Biotecnologias da água de coco: 41 anos de pesquisas de inovações” registraram aplicações da linha ACP Derma no tratamento de feridas crônicas, incluindo casos de pé diabético, com redução no tempo de cicatrização.
A implantação da biofábrica conta com parcerias do Instituto Ecoco do Brasil, da Associação dos Caprinovinocultores de Jaguaretama (Capritama) e da Cooperativa Agroindustrial do Vale do Jaguaribe (Cooprivale).
A iniciativa fortalece a integração entre universidade, setor produtivo e agricultura familiar no Ceará.
O projeto também está ligado ao fortalecimento da pesquisa e da pós-graduação em biotecnologia na Uece. O professor José Ferreira Nunes participou da criação da Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio), que teve a universidade cearense como ponto focal da coordenação geral entre 2006 e 2011.
Atualmente, o grupo acumula dezenas de projetos científicos, centenas de artigos publicados e 12 patentes relacionadas ao uso biotecnológico da água de coco.
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